'Foi uma ação orquestrada', reclama Kassab

Prefeito diz que não vai mudar rotina após ataque sofrido ontem e manifestante promete para hoje mais ações de protesto

O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h05

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), disse ontem que a ação contra ele na saída da missa de aniversário da cidade foi organizada previamente. "Foi orquestrada. Eles estavam preparados. Você tem alguma dúvida?", perguntou, em entrevista ao Estado.

Kassab afirmou também que manteve sua rotina no resto do dia, está "tranquilo" e não pretende mudar nada nos próximos eventos públicos. "Não foi a primeira vez nem será a última. Mas ninguém está preparado para ações desse tipo. Infelizmente, ainda tem grupos que se manifestam dessa maneira e se isolam cada vez mais, porque perdem o respeito das pessoas, de toda a sociedade. Isso enfraquece o próprio movimento deles."

Para o prefeito, o ataque violento é contraditório. "Na hora em que eles acusam o governo do Estado e a PM de agirem com falta de diálogo e truculência e eles mesmos agem com truculência, é uma contradição. Estão devolvendo na mesma moeda."

Depois do confronto na Sé, os 600 manifestantes caminharam em passeata com carro de som e instrumentos de percussão até a sede da Prefeitura. O Viaduto do Chá foi bloqueado. No Edifício Matarazzo, Kassab, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT) participavam de cerimônia. Faixas pediam a Dilma que desapropriasse o terreno do Pinheirinho, em favor dos moradores desalojados. Alguns dos manifestantes já prometiam novos protestos. O professor da rede municipal Almir Bento de Freitas, de 48 anos, por exemplo, disse que os "atos de repúdio" continuarão hoje, com distribuição de panfletos em estações do Metrô. Ontem, ele liderou o cerco à Sé. Depois, explicou que a ideia era denunciar abusos na cracolândia, na Favela do Moinho e no Pinheirinho.

No protesto, também estavam integrantes de movimentos estudantis, que pedem a saída da Polícia Militar da Universidade de São Paulo (USP). O Movimento Negação da Negação, que participou de ocupações na Cidade Universirária, e integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) acompanharam a passeata na Sé, na Prefeitura e até na cracolândia, para onde o grupo foi à tarde.

Outros manifestantes eram "independentes". Como o ator André Luis Patrício, de 39 anos, que, coberto com uma manta acinzentada, fingia ser morador de rua e, de repente, levantava gritando: "Assassino!". "Sou contra essa política de espalha e mata", justificou.

O Comitê de Solidariedade ao Pinheirinho, uma das lideranças do ato, distribuía adesivos com a inscrição "Todos Somos Pinheirinho" e foto de barracos em chamas. Cerca de 15 ex-ocupantes do Pinheirinho também participaram - eles foram trazidos a São Paulo por lideranças de movimentos por moradia. Mas nem todos voltaram. Enquanto dava entrevista ao Estado, o pintor Narvaldo Gonçalves dos Reis, de 52 anos, foi deixado para trás. "Foram lá me chamar pra cá, eu vim, fiquei junto o tempo todo, e agora me abandonaram", disse, irritado.

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