TIAGO QUEIROZ / ESTAD?O
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‘Foi um milagre não ter morrido’, diz ciclista vítima de acidente

Rodrigo Padilla, de 51 anos, bateu na traseira de um caminhão em uma rodovia paulista e quase ficou tetraplégico

Felipe Resk e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

28 Setembro 2016 | 03h00

Após colidir na traseira de um caminhão em uma rodovia paulista, o comerciante e ciclista profissional Rodrigo Padilla, de 51 anos, quase ficou tetraplégico. Teve a língua cortada e fraturou a coluna cervical em sete partes e o esterno - osso do tórax que ajuda a proteger coração e pulmões. “Foi um milagre não ter morrido porque foram muitas fraturas. Também foi um aviso. Agora, só pedalo em estrada com uma turma grande. Nunca mais pretendo voltar a fazer sozinho”, diz. 

O acidente foi há cinco anos. Naquele dia, Padilla já havia pedalado 130 quilômetros e, cansado, baixou a cabeça para relaxar. Estava no acostamento, como manda a legislação de trânsito. “Não vi que um caminhão entrou de repente e bati na traseira. A culpa foi minha.”

O ciclista conta que, antes de sair de casa, sua mulher pediu pela primeira vez que não fosse treinar. “Eu pedalava sozinho havia quase oito anos”, diz. “No fim das contas, ela me salvou da morte. Nas lojas, capacetes de ciclista custam entre R$ 60 e R$ 1,5 mil. Minha mulher havia comprado o mais caro.” 

Educador físico, Ricardo Arap, de 48 anos, coordena grupos que pedalam em rodovias. Mesmo com regras rigorosas, como carro de apoio e equipe de profissionais, o treino não é 100% seguro. “Não é garantia, mas minimiza riscos”, diz.

Para o diretor-geral da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Daniel Guth, falta infraestrutura nas estradas. “Não é capricho de um segmento. Estamos pedindo que o governo cumpra a legislação, que prevê a criação de um plano cicloviário”, diz.

O gerente de segurança e sinalização da Agência de Transporte do Estado (Artesp), Carlos Campos, admite que o governo do Estado não tem um programa para implementar ciclovias em todas as rodovias de São Paulo e o equipamento só é instalado a partir da demanda. “A quantidade de ciclistas é muito baixa e o custo para implementar todo sistema é muito alto.” Campos diz que a agência não recomenda andar de bicicleta no acostamento de estradas. “Não é seguro.” 

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