Foi gesto calculado para o maior colégio eleitoral do País

Análise: Julia Duailibi

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2013 | 02h04

Entre trocas de gentilezas e sorrisos, Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) anunciaram a parceria tucano-petista na capital. A importância do encontro, no entanto, ultrapassou os R$ 46 milhões que serão investidos em creches ou os R$ 140 milhões divulgados para a habitação. A reunião entre os dois foi coberta por um verniz político que evidencia o esforço mútuo de negar a existência de um 3.º turno eleitoral. A mensagem que mandavam ontem para as câmeras era: "Estão vendo como somos republicanos e não fazemos política olhando a coloração partidária?".

Mas, no fundo, o encontro teve menos generosidade política e mais pragmatismo, em um momento em que Alckmin se prepara para disputar a reeleição de 2014, e o PT traça as diretrizes para derrotá-lo. Foi um gesto calculado para o maior colégio eleitoral do País.

Com Haddad, Alckmin repete a bem-sucedida aproximação que estreou com Dilma Rousseff, em 2011. Cria uma agenda positiva, depois de meses de desgaste em razão da crise na segurança. Com Alckmin, Haddad segue os passos de Dilma. Demonstra abertura ao diálogo e disposição para resolver problemas da cidade. De lambuja, ainda leva a promessa de mais recursos para a capital. E, de mãos dadas com Alckmin, o PT sinaliza para o eleitor tucano, alvo em 2014.

É tudo uma questão eleitoral.

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