'Foi como se eu tivesse vivido no inferno'

Ele frequentou o piscinão durante três anos e chegou a morar dentro dele por uma semana. Afastado do crack há dois meses, "sem tratamento", o carroceiro Rafael Rogério de Medeiros, de 21 anos, conversou com o Estado na última quarta-feira, enquanto recolhia sucata na Avenida General Penha Brasil. Ele enfrentou os piores anos de sua vida ao lado da mulher, Caroline Aparecida Santine, de 22, grávida de quatro meses. "Foi como se eu tivesse vivido no inferno."

O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2012 | 03h01

Rafael consumia quase todos os R$ 150 que ganhava diariamente em pedras de crack, viu um endinheirado torrar R$ 3 mil em uma só noite de sexo e drogas no "mocó" do piscinão e apanhou muito na rua, tanto de estranhos quanto dos próprios colegas. Foi parar ali depois de perder o emprego como auxiliar administrativo e sentir vergonha da situação. "Já busquei comida no lixo."

"O Casal", como a dupla era chamada no piscinão, foi resgatado do crack depois que um desconhecido deu um marmitex e R$ 9 a Caroline. Pediu que ela passasse o endereço da família e então avisou o pai dela, um advogado. Ele foi atrás da filha e do genro, oferecendo abrigo. "Quero agora fazer um curso de segurança. Muitos que ficaram ali dizem que têm inveja porque consegui sair, mas depende de cada um deixar ou não o crack."/ W.C.

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