Fogos de artifício causam 23 incêndios por mês em SP

Até julho, foram registradas 161 ocorrências do tipo, a maior parte de pequeno porte

Fernanda Aranda, O Estado de S. Paulo,

02 de outubro de 2009 | 08h03

Os fogos de artifício provocam, em média, 23 incêndios por mês apenas na capital, segundo o Corpo de Bombeiros. Até julho, foram registradas 161 ocorrências do tipo, a maior parte de pequeno porte, alguns provocados pelo manuseio errado ou pelo armazenamento irregular. Nas estatísticas não entra o fogo provocado por balões, outra modalidade que também preocupa a corporação.

 

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Em comparação com o ano passado, porém, os dados indicam estabilidade dos casos, uma vez que em 2008 a média de incêndios mensal também ficou em 23 casos (foram 279 no total). A informação adicional trazida pelo balanço anterior é que os fogos de artifício são responsáveis por um em cada dez princípios de fogo que acontecem em perímetro urbano (2.573 no total), concorrendo no ranking de causadores com os curtos-circuitos - os grandes violões.

 

"É um número muito importante e excessivo", afirma o tenente Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros. "O nosso histórico já mostra o quanto é perigoso ser vizinho de um local que armazena de forma inadequada os fogos de artifício", completa o tenente, que afirmou não ter um dado consolidado sobre o número de vítimas desses incêndios.

 

O proprietário da loja que explodiu em Santo André, Sandro Luiz Castellani, negou em depoimento à Polícia Civil, na segunda-feira, que manuseava pólvora (o que é proibido por lei) ou que armazenasse quantidade excessiva de fogos de artifício no espaço de 16 m² - onde oficialmente ficava a sua loja.

 

Apesar da desconfiança dos policiais e bombeiros que atenderam a ocorrência, que consideraram a explosão muito grande para ser provocada por biribinhas, ainda é preciso esperar o resultado da perícia para avaliar quais foram as reais causas do incêndio. Mas o episódio do ABC paulista serviu não só para ressaltar o perigo que o armazenamento inadequado pode provocar, como o risco de estabelecimentos funcionarem sem a licença específica para tal fim (a prefeitura de Santo André afirma que a licença de funcionamento da loja havia sido indeferida uma semana antes do acidente).

 

DEVASSA

 

Para tentar impedir que os comércios clandestinos de fogos de artifício continuem em operação, e contribuindo para aumentar os incêndios provocados por rojões , a prefeitura de São Paulo determinou, por meio de publicação no Diário Oficial, que todas as subprefeituras da cidade realizassem uma devassa para identificar pontos ilegais, além de traçar cronograma de vistoria nas lojas que têm autorização.

 

Já em Santo André foi solicitado aos 18 fiscais da cidade "a se atentarem mais a detalhes, principalmente em relação a fogos de artifícios". Depois da tragédia no ABC, duas casas foram interditadas e o número de denúncias, afirma a prefeitura local, aumentou não só para casas de fogos como para "todo tipo de atividade que julgam de risco, como oficinas mecânicas com material inflamável e casas de produto de limpeza".

 

Os atendentes do disque-denúncia, 181, que também é indicado para receber esses casos, também informaram que foi "expressivo o aumento de relatos sobre lojas de fogos de artifício", mas ainda não há uma planilha com o número de ocorrências.

 

Para os administradores municipais, o alcance da fiscalização seria ampliado com um número maior de denúncias - o caminho exclusivo para que alguma providência (de inspeção a fechamento) seja tomada.

 

QUEIMADURAS

 

O presidente da Sociedade Brasileira de Queimadura, o médico Flávio Nabruz Novaes, destaca que, além dos incêndios, é preciso levar em conta o perigo das queimaduras provocadas pelos fogos. "Ainda que em quantidade eles não sejam comuns, os danos é o que chamam a atenção. Cegam, mutilam e queimam."

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