Fogo mata paciente em hospital do Rio

Idosa com problema pulmonar grave inalou fumaça e morreu; incêndio destruiu anexo de unidade universitária na zona norte da cidade

ANTONIO PITA , FELIPE WERNECK / RIO , O Estado de S.Paulo

05 Julho 2012 | 03h04

Incêndio no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) em Vila Isabel, na zona norte do Rio, matou uma paciente ontem e destruiu o prédio anexo às enfermarias, onde havia um almoxarifado. O fogo teve início por volta das 5h30 e rapidamente espalhou densa fumaça negra pelos ambulatórios. O prédio onde 320 pacientes estavam internados teve de ser evacuado.

O incêndio foi controlado às 9h pelo Corpo de Bombeiros, que precisou usar escadas mecânicas para resgatar os pacientes em andares superiores. As chamas chegaram ao quarto andar do hospital, onde estavam as enfermarias de nefrologia, hemodiálise e cirurgia torácica, as mais afetadas pela fumaça.

No local estava internada Edenir Pereira, de 65 anos, que morreu. Ela fora hospitalizada havia cerca de um ano com quadro grave de fibrose cística, doença que compromete a capacidade respiratória. "O paciente com problemas pulmonares fica mais suscetível quando exposto a fumaça, como aconteceu", disse o diretor do hospital, Rodolfo Nunes.

Em meio ao caos, o hospital chegou a comunicar erroneamente a morte de uma paciente à sua família. "Elas têm nomes parecidos, o mesmo quadro clínico e estavam na mesma enfermaria", justificou Nunes. Cerca de 60 pacientes precisaram ser realocados em alas menos afetadas pela fumaça e outros 17 foram transferidos a outros hospitais.

Do lado de fora, parentes de pacientes aguardavam informações. A aposentada Ozinete da Silva Rodrigues, de 81 anos, queria notícias do marido, Milton Pereira, de 76, internado havia oito dias à espera de cirurgia no fêmur, marcada para hoje. "Ele foi liberado por causa do incêndio, mas não tive informações sobre seu estado nem sobre uma nova data para a operação."

Bombeiros informaram que a estrutura do prédio principal não foi danificada. O edifício onde aconteceu o incêndio foi construído há apenas um ano e, segundo a direção do hospital, obedecia a todos os requisitos de segurança contra incêndio. A causa não foi esclarecida, mas no local eram armazenados utensílios cirúrgicos e insumos para realização de exames, material altamente inflamável.

A direção acredita que em 15 dias a unidade esteja funcionando normalmente. Consultas e cirurgias foram suspensas até que seja feita vistoria. Apenas pacientes internados e casos urgentes terão atendimento hoje.

Prejuízo. O governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que será liberada verba para "o que for preciso". A Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que administra o hospital, calcula os prejuízos em R$ 5 milhões.

Segundo médicos residentes, o Pedro Ernesto atravessa grave crise. A unidade também enfrenta greve de anestesistas, professores e servidores. O reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, disse que "residentes nunca haviam falado dos problemas".

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