Ricardo Nogueira/EFE
Ricardo Nogueira/EFE

Fogo em Santos é apagado pela 1ª vez, mas incêndio recomeça

Bombeiros começaram a usar o pó químico e, pela 1ª vez, o fogo desapareceu, mas recomeçou quando aplicação foi interrompida

Luiz Alexandre Souza Ventura, Especial para o Estado

08 Abril 2015 | 14h12

Atualizada às 23h07

SANTOS - A mudança de cenário é constante no incêndio que atinge, desde a última quinta-feira, 2, tanques que armazenam milhões de litros de combustível (álcool e gasolina) no pátio da Ultracargo/Tequimar, em Santos, litoral sul de São Paulo. No começo da tarde desta quarta-feira, 8, o Corpo de Bombeiros começou a usar o pó químico chamado Cold Fire (importado da Alemanha) e, pela primeira vez, o fogo desapareceu no complexo industrial da Alemoa. Logo depois, quando a aplicação do produto foi interrompida, novas labaredas voltaram a aparecer.

Ainda de manhã, as equipes contiveram vazamentos nos tonéis queimados, segundo informações apresentadas pelo prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), logo após reunião do gabinete de crise formado na cidade - com representantes do Município, Estado e União -, para acompanhar o acidente. Os bombeiros mantêm o trabalho de resfriamento da área. "O poder público municipal vai agir com absoluto rigor, nas penalidades impostas pelos danos ambientais e também na ocupação e uso do solo naquela área", garantiu Barbosa.

O encontro do grupo teve a participação do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, e do secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, general Adriano Pereira Junior. "O governo federal atua desde o primeiro momento nesta situação. Por orientação da presidente Dilma, nossa presença aqui reforça o apoio, com Petrobrás, Exército, Marinha, Aeronáutica, Infraero e FAB. Desde os primeiros momentos esse auxílio é presente", disse o ministro. Segundo Occhi, novas demandas foram apresentadas, entre elas a necessidade de um caminhão usado no combate a incêndios em aeroportos e aeronaves. "Esse equipamento está disponível para a ação", assegurou Occhi.

Durante a reunião, o prefeito de Santos reforçou a necessidade de repensar a relação do Porto com o município. E pediu um "novo olhar" sobre os riscos aos quais a cidade está submetida. Barbosa lembrou que não foram colocadas em prática as diretrizes apresentadas no Plano do Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos (PDZ), elaborado em 2006 pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e submetido ao Conselho de Autoridade Portuária (CAP), do qual a Prefeitura faz parte.

Segundo o secretário municipal de Assuntos Portuários, José Eduardo Lopes, o PDZ previa a transferência de cinco empresas instaladas na Ponta da Praia, que armazenam granéis sólidos, e atuam no chamado corredor de exportação, para a área continental de Santos, onde há espaço amplo e desabitado. "Em 2013, o governo federal editou a Medida Provisória (MP) 595, que logo depois virou a Lei nº 12.815/2013, tirou os poderes do CAP e renovou a licença de uma das companhias por 20 anos, contrariando a cidade e centralizando todas as decisões em Brasília", diz.

Para rebater a decisão, a cidade de Santos mudou, também em 2013, a Lei de Uso e Ocupação do Solo, com foco na Ponta da Praia, para proibir a continuidade das operações naquela área. "O governo federal, por meio da Advocacia Geral da União (AGU), com mão forte, entrou com uma ação no Superior Tribunal Federal (STF) e o ministro Ricardo Lewandowski concedeu liminar que permitiu a continuidade das atividades naquele local", afirma Lopez. A Prefeitura de Santos aguarda o julgamento do mérito da questão.

Paulo Alexandre Barbosa criticou também a demora na reformulação da entrada da cidade, projeto que, segundo ele, poderia amenizar o trânsito ou eliminar por completo o acúmulo de caminhões na Rodovia Anchieta e nos arredores do Porto. "Essas obras preveem a duplicação do viaduto e a construção de novos viadutos, que certamente garantiriam essa mobilidade. Esperamos que seja possível avançar na discussão desses assuntos porque falamos aqui sobre o maior porto da América Latina, que é estratégico para o desenvolvimento do nosso País. É muito importante que essas medidas sejam tomadas, que saiam do papel, para que não tenhamos de enfrentar momentos como esse", afirmou o prefeito, em referência aos transtornos causados pelo incêndio na Alemoa.

A responsabilidade pela execução do projeto de reformulação da entrada de Santos é tripartite (dividido entre os governos municipal, estadual e federal). "É um projeto de R$ 800 milhões, sendo que a parte da cidade é de R$ 240 milhões, que já foram obtidos por meio de um empréstimo da Caixa Econômica Federal. E já está aprovada a licença ambiental", explica o secretário de Assuntos Portuários de Santos. "O Estado também já acertou sua parte, mas o governo federal ainda não fez nada", diz.

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