Fogo destrói o Canal 9

Incêndio transmitido ao vivo apressou o fim da Excelsior

Rose Saconi, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

Há 40 anos

Um incêndio no dia 17 de julho de 1970 destruiu cinco dos seis estúdios da antiga TV Excelsior, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, além de grande parte do prédio onde estavam instalados os equipamentos técnicos. Às 11h57, relatou o Estado, o locutor Peirão de Castro começaria a ler o noticiário esportivo quando um forte ruído o interrompeu. O fogo estava quase dominado quando, uma hora e meia depois, um novo pavilhão foi tomado pelas chamas. A situação só foi controlada cerca de uma hora depois.

Enquanto o incêndio devorava os estúdios 5 e 6, técnicos colocavam a TV Excelsior no ar, usando apenas duas câmeras. A emissora transmitiu, ao vivo, as imagens da própria tragédia. O fogo destruiu mais de 3 mil m² de área construída. O prejuízo, apesar de grande, foi apenas material: não houve vítimas.

À tarde, enquanto os bombeiros se ocupavam do rescaldo do incêndio, a maior parte dos funcionários se reunia num bar na frente dos estúdios. As mulheres ainda choravam. O diretor-superintendente, Gonzaga Blota, naquele momento ainda sem camisa, com as roupas molhadas e sem sapatos, disse: "Temos de falar sobre a coragem dos funcionários, que arriscaram a vida para salvar uma TV condenada (90% dos equipamentos foram salvos)."

Fundada em julho de 1960, a TV Excelsior enfrentou durante dez anos de existência diversas crises administrativas e financeiras. No dia 1.º de outubro de 1970, durante o programa humorístico Adélia e suas trapalhadas, o jornalista Ferreira Neto invadiu os estúdios para anunciar que, por ordem do governo federal, o canal 9 estava encerrando as atividades.

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