Foco das buscas é área de grupo de extermínio

Um dos integrantes do bando acusado de execuções, assaltos e fraudes em Minas seria o ex-policial suspeito de ter estrangulado Eliza Samudio

, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2010 | 00h00

Policiais e bombeiros retomaram na manhã de ontem as buscas pelo corpo de Eliza Samudio, em um sítio que já foi investigado como área de execuções. A procura se concentrou na propriedade alugada por Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele integraria um grupo de extermínio, que atuaria dentro do Grupo de Respostas Especiais (GRE), uma equipe de elite da Polícia Civil de Minas. Ontem, nada foi encontrado.

Bola foi excluído da corporação em maio de 1992, pouco mais de um ano após ingressar, sob a acusação de falta de idoneidade e indisciplina. O sítio no bairro Coqueirais também funcionava como um centro de treinamento do GRE. Em 2008, segundo fontes policiais, Bola foi chamado a depor como investigado em um inquérito instaurado pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil, após três integrantes do GRE serem denunciados pelo desaparecimento de dois homens.

O esquema foi revelado pelo então inspetor Júlio Monteiro, com apoio de outros policiais. A suspeita era de que as vítimas eram mortas, esquartejadas e queimadas em pneus no sítio. Restos mortais também serviam de alimento para cães ferozes - no depoimento do jovem J., ele relata que o mesmo teria sido feito com o corpo de Eliza, após ela ter sido estrangulada por Bola. Na época da investigação, pelo menos oito agentes foram afastados do grupo de elite. A denúncia falava em outros crimes, incluindo fraudes e assaltos.

Conforme apurou o Estado, homens do GRE eram vistos com frequência no sítio até o ano passado. No local, davam tiros em bonecos de pano e simulavam situações de combate, segundo vizinhos. Guiados por Bola, os policiais costumavam correr pelas ruas de barro das imediações cantando músicas do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Rio, que aparecem no filme Tropa de Elite. O logotipo da Polícia Civil aparece em pelo menos três paredes da propriedade. A sigla GRE está gravada em um barranco.

Chefe do bairro. Pelos vizinhos, Bola foi definido como o homem "que comandava o bairro". "Ele chegou para mim e falou: "Olha, se vocês tiverem algum problema, principalmente com drogados, me avisa que eu dou um jeito." Ele pegava firme com a bandidagem aqui", afirmou uma comerciante, que pediu para não ser identificada.

Apesar de não pertencer à corporação desde 1992, Bola costumava passear pelo bairro dirigindo uma viatura do GRE. O benefício seria concedido por um policial conhecido como Gilson.

O Estado procurou a assessoria da Polícia Civil mas, até o início da noite, não obteve informações sobre o inquérito de extermínio, que ainda não teria sido concluído. O advogado Rodrigo Braga, que se apresentou ontem como defensor de Bola, afirmou que seu cliente "não tem antecedentes criminais" e negou a ligação dele com os homens do GRE e com o sumiço de Eliza Samudio. "Ele não conhece nenhuma das pessoas envolvidas no caso. Os policiais me passaram que está bem transtornado. Então a gente precisa ter um pouco de cautela para que ele não cometa "autoextermínio"."

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