Fluxo de dependentes na Cracolândia diminuiu 70% em um mês, estima Haddad

Prefeito afirmou ainda que inscritos no programa Braços Abertos, que dá trabalho a usuários, reduziram o consumo diário

Bruno Ribeiro , O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2014 | 14h14

SÃO PAULO - No balanço de um mês do programa Braços Abertos, completado nesta sexta-feira, 14, o prefeito Fernando Haddad (PT) estimou que o tamanho do chamado "fluxo" diário da Cracolândia - ponto onde os dependentes de crack ficam consumindo e vendendo a droga - está 70% menor do que era. "Por lá, circulavam cerca de mil pessoas. Agora, circulam cerca de 300", disse. A Prefeitura afirmou ainda que os 386 cadastrados no programa conseguiram reduzir também em 70% o consumo diário de pedras.

"Tem pessoas que estão há 30 dias sem consumir", disse o prefeito. Ele ressalta, entretanto, que recaídas são esperadas, dada a natureza desse tipo de dependência.

O fluxo ocupava uma região que ia da Praça Julio Prestes ao Largo Coração de Jesus. Atualmente, concentra-se na Rua Helvétia, no quarteirão entre a Alameda Barão de Piracicaba e a Avenida Rio Branco.

A secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, disse que a tenda do programa, também na Rua Helvétia, deve ampliar o horário de funcionamento das 17h para até as 22h já na semana que vem.

Conforme o Estado antecipou, a medida é uma estratégia da gestão Haddad para reduzir também à noite o tráfico de drogas, que já diminuiu ao longo do dia.

Os atendidos pelo programa, que hoje trabalham na varrição onde praças, vão passar a ter também a opção de trabalhar em uma oficina de jardinagem a partir dos próximos dias. Serão oferecidas 80 vagas.

O programa consiste em oferecer moradia, alimentação, emprego e cursos de capacitação aos dependentes. Quem participa recebe R$ 15 por dia (em pagamentos quinzenais).No último pagamento, 340 dos inscritos receberam a quantia.

A Prefeitura, no entanto, ainda não descadastrou nenhum atendido. Há tolerância com recaídas, segundo o secretário de Segurança Urbana, Roberto Porto.

A Prefeitura também divulgou que o trabalho de inteligência a Polícia Civil possibilitou a apreensão de 2.700 pedras de crack na área há uma semana.

"Temos uma parceria plena com o governo do Estado. O governador está tão interessado quanto eu. Também frequenta a região e me liga de lá para avaliar o programa", disse o prefeito.

É uma mudança de discurso. No mês passado, após policiais civis do Denarc realizarem uma operação na região com bombas de gás e tiros, Haddad havia feito críticas à operação, que poderia ter quebrado, segundo ele, a confiança estabelecida entre dependentes e agentes municipais. O prefeito havia classificado a ação como "lamentável" na ocasião.

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