Marco Antônio Carvalho/Estadão
Marco Antônio Carvalho/Estadão

Barracas vendem crack até nos fundos de delegacia que investiga tráfico após ação na Cracolândia

Grupo se instalou atrás do 77º DP, responsável pela operação que resultou no espalhamento de usuários pelas ruas do centro de São Paulo

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2022 | 09h26

A operação realizada pela polícia na Praça Princesa Isabel nesta quarta-feira, 11, dispersou dependentes químicos por diversas ruas da região central da cidade de São Paulo ao longo do dia. O cenário formou um fluxo ambulante de vendedores e usuários de crack que chegou a se instalar à noite nos fundos do 77º Distrito Policial (Santa Cecília), delegacia responsável pela investigação contra o tráfico de drogas na Cracolândia.

Por volta das 23h, dezenas de pessoas se aglomeraram na Rua Helvétia próximo ao cruzamento com a Avenida São João. O 77º DP fica localizado na Alameda Glete, mas os fundos do terreno dão para a Rua Helvétia na altura onde o fluxo se instalou. A movimentação na área era intensa e não demorou para uma banca de madeira ser instalada e a venda de drogas a céu aberto ser iniciada aos moldes do que já ocorria na Praça Princesa Isabel. 

Os traficantes também vendiam cachimbos para o consumo da droga, além de cartelas de medicamentos. Antes de chegar ali, o fluxo já havia passado pela Praça Marechal Deodoro, a 500 metros de distância. Na manhã desta quinta-feira, o grupo já havia deixado a Rua Helvétia em um movimento que pode continuar nos próximos dias até ser estabelecido em um endereço fixo novamente. 

O 77º DP é responsável pela Operação Caronte, que investiga o tráfico na região da Cracolândia desde o ano passado. As áreas dos antigos fluxos nas imediações da Praça Júlio Prestes e da Praça Princesa Isabel estão na circunscrição de atuação da delegacia. A operação desta quarta-feira integra a Caronte, que em 10 meses prendeu cerca de 100 suspeitos, de acordo com informações da polícia. 

A Prefeitura de São Paulo vai colocar a Guarda Civil Metropolitana (GCM) para monitorar a região da Praça Princesa Isabel, na região central de São Paulo, 24 horas por dia, na tentativa de evitar a aglomeração de dependentes químicos e a instalação de barracas que, segundo a polícia, servem para o tráfico de drogas. No local que se tornou a nova Cracolândia desde março serão pelo menos 100 agentes fixos. A gestão Ricardo Nunes (MDB) também planejar cercar a praça, de forma a ter controle maior no local. /COLABOROU GONÇALO JUNIOR

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