Flanelinhas ficam com chaves e cobram R$ 250 por vaga na rua

Quem paga muitas vezes se sente 'refém' dos manobristas; há relatos de ameaças e até de roubo e troca de peças

O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h04

Com o preço dos estacionamentos nas alturas, quem não pode pagar fica refém dos flanelinhas. É o caso de Monique Santiago, publicitária de 26 anos. A reportagem a encontrou parando no estacionamento de R$ 650 - mas a vaga não era dela, era da chefe, que estava viajando e cedeu o espaço temporariamente. "A minha vaga mesmo é na rua. Pago R$ 200 ao flanelinha por mês e deixo a chave com ele. Faço isso porque não tenho condições de pagar o que cobram nos estacionamentos tradicionais daqui."

A ação dos flanelinhas também é conhecida nos grandes eventos da cidade. Ontem, a Polícia Militar deteve 17 deles, que cobraram entre R$ 10 e R$ 20 de quem deixou o carro na região do Ibirapuera, na zona sul, para participar de Maratona Internacional de São Paulo. Eles foram indiciados por exercício ilegal da profissão.

Quem deixa o carro com os flanelinhas dos centros comerciais também pede ação policial. Os engenheiros Joel Maia, de 31 anos, e Luana Ribeiro e Martin Willitsch, de 32, trabalham em um escritório da Faria Lima e contam que casos de extorsão são comuns. "Acontece direto com o pessoal lá do escritório. Somos reféns aqui. Paro em um estacionamento coberto, porque a empresa paga", diz Luana.

Ameaças. "Eles (flanelinhas) falam que quando voltar vai ter acontecido alguma coisa com meu carro. Dou algum dinheiro, mas não pago mensal. Sou contra quem paga", diz Joel. Ele conta que os colegas desembolsam até R$ 250 para deixar o veículo, com a chave, na rua. "Quem para avulso tem de deixar o carro fora de marcha. Aí empurram um carro daqui, outro dali e colocam o do 'mensalista' na 'vaga'." / N.C.

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