Robson Fernandjes/AE
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Flanelinha diz ter visto Mizael em carro igual ao achado com corpo de Mércia

Em audiência, Bruno da Silva Oliveira afirma que ex-namorado da advogada tentou falar com ele

Eduardo Roberto, estadão.com.br

18 de outubro de 2010 | 18h00

GUARULHOS - Quarta testemunha a depor no Fórum Central de Guarulhos nesta segunda-feira, 18, o flanelinha Bruno da Silva Oliveira afirmou que viu Mizael Bispo, ex-namorado de Mércia Nakashima, deixar seu carro, um Kia Sportage, no estacionamento próximo ao Hospital de Guarulhos. Logo após, segundo o relato, Mizael entrou em um Honda Fit, que tinha uma mulher como motorista.

 

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O flanelinha diz que não conseguiu identificar quem estava no carro. O corpo da advogada foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, no dia 11 de junho, em um Honda Fit prata.

 

Segundo ele, o episódio aconteceu por volta das 18h30 de 23 de maio - dia em que, segundo a polícia, ocorreu o assassinato. No mesmo dia, "mais ou menos às 22h", Oliveira relatou que viu o Kia Sportage sair do estacionamento, mas não identificou quem estava no carro.

 

"Reparei um movimento estranho dele [Mizael], então acabei reparando na placa do Sportage. Na hora também decorei a placa do Honda Fit, mas já esqueci", explicou-se o flanelinha quando perguntado pelos advogados de defesa sobre o fato dele ter decorado a placa do carro de Mizael.

 

Oliveira também contou que o réu voltou ao estacionamento outras duas vezes. Em uma delas, dirigindo um Gol "bolinha", tentou falar com o flanelinha. "Eu já sabia quem ele era, então me assustei. Já tinha visto ele outras vezes no estacionamento", disse ele, visivelmente nervoso.

 

Na segunda vez, de acordo com o relato, Mizael parou e "ficou olhando" para Oliveira após estacionar seu Sportage. O flanelinha negou que o réu teria feito alguma ameaça direta contra ele, mas afirmou ter ficado amedrontado com o comportamento do ex-namorado da vítima.

 

Frentista e cartazes. Jurandir Ferreira da Silva, que trabalha no posto onde Evandro Bezerra da Silva era vigia, e Maria Cleonice Ferreira, que ajudou a família de Mércia a distribuir cartazes da advogada, foram a quinta e sexta testemunhas, respectivamente.

 

O frentista contou que Mizael se encontrava com Evandro no posto com frequência, e que essas visitas se intensificaram na época da morte da advogada. "Mizael ia quase todo dia até lá e ficava conversando com o Evandro. Mas, por volta do final de maio, Mizael ia para lá todos os dias e falava com Evandro por volta de uma ou duas horas, dentro carro", disse.

 

Já Maria Cleonice Ferreira contou que, juntamente com outras pessoas, ajudou os familiares a espalhar cartazes com a foto de Mércia e a mensagem de "desaparecida". Ela disse que recebeu um telefonema indicando que cartazes estavam sendo arrancados na região de Bonsucesso, em Guarulhos, local onde mora Mizael, mas ressaltou que o contato não ligava diretamente o sumiço dos cartazes com o ex-namorado da vítima.

 

O pescador que durante as investigações disse ter visto o carro afundar, um homem deixar a represa e ter escutado gritos de mulher também depôs hoje, como sétima testemunha. Ele era chamado na audiência como "Ômega". A oitava, Airton Lima, foi dispensada pelas partes.

 

A audiência terminou por volta das 17h40 e deve ser retomada nesta terça-feira, às 13 horas, com o depoimento das testemunhas de defesa. Mizael e Evandro ainda serão ouvidos. Todo o processo deve levar três dias - ao final, o juiz vai decidir se os réus serão acusados e enfrentarão um júri popular ou se o caso será arquivado.

 

Texto atualizado às 18h55.

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