Flagrada no Anhangabaú, feira do rolo muda para a Luz

Impedido pela PM e a GCM depois de denúncia da reportagem, comércio ilegal agora funciona a 1 km do local original

Marici Capitelli, Pedro Marcondes de Moura, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

JORNAL DA TARDE

A feira do rolo da região central, conhecida pela venda de produtos roubados, está em novo endereço: no acesso à Passarela das Noivas, próximo da Avenida Prestes Maia, na Luz. Cerca de 40 vendedores oferecem celulares de todos os modelos, aparelhos eletrônicos e roupas. São os mesmos que atuavam na feira da Praça Pedro Lessa, no Anhangabaú, impedida de funcionar pelas Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana. A distância é de menos de um quilômetro.

Os ambulantes atuam da mesma maneira. Com dezenas de celulares em sacos de lixo pretos e alguns aparelhos nas mãos, eles abordam os pedestres. O diferencial é que estão mais organizados para fugir da Polícia Militar e da GCM.

As corporações afirmam que os vendedores escolheram um lugar de difícil acesso para as viaturas. "Olheiros ficam nas imediações observando a chegada de viaturas e até radiocomunicadores já foram apreendidos com eles", explicou um GCM que trabalha no patrulhamento do local. "Feira do rolo é mais velha do que a cidade. Antes era perto do Anhangabaú, agora é aqui. Depois vai ser em outro lugar."

A reportagem esteve na feira nos últimos três dias e viu um homem sentado no chão, com uma sacola cheia de baterias de celular. Questionado se tinha um aparelho específico, o homem chamou um colega. O vendedor tirou do saco uma dúzia de celulares.

Outros ambulantes, de olho na oportunidade de fazer negócio, se aproximaram. Um deles conhecido como Coelho ofereceu uma "pechincha", um aparelho "novinho" Nokia com resolução de 8 mega e acesso Wi-Fi à internet. "Está perfeito, estou querendo R$ 250; na loja custa mais de R$ 1 mil."

Questionado sobre a origem do produto, mudou de assunto. "Quer ver como pega internet?" Em seguida, conectou o aparelho à rede sem fio da Pinacoteca, que fica a 200 metros. O vendedor disse que para encomendar era só deixar o número de telefone, mas avisou: "Os homens (a PM) estão em cima".

A PM e a GCM ocupam o local frequentemente, interrompendo a atividade. Mas quando saem, o comércio é retomado.

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