Antonio Cruz/ABR
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Flagelados da chuva em AL pagarão por casas

Um ano depois de enchente que devastou 19 cidades, vítimas continuam em abrigos

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2011 | 00h00

Os desabrigados das enchentes que devastaram pelo menos 19 cidades de Alagoas em junho de 2010 vão ter de pagar pelas casas que estão sendo construídas para eles. Para quem ganha até um salário mínimo (R$ 545), a prestação mensal será de R$ 50 por dez anos. Acima desse limite, o valor equivalerá a até 20% da remuneração mensal, também por dez anos.

Até agora nenhuma casa foi entregue. Os desabrigados continuam morando em abrigos improvisados e debaixo de barracas de lona entregues pela Defesa Civil Estadual. As casas terão padrão único, com 41 metros quadrados de área construída, divididas em dois quartos, sala, cozinha, banheiro, varanda e área de serviço. A previsão inicial era de que os conjuntos habitacionais ficariam prontos em 12 meses, mas a maior parte dos imóveis dificilmente será entregue dentro do prazo.

As informações são do vice-governador de Alagoas, José Thomaz Nonô (DEM), nomeado pelo governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) para coordenar a partir de agora os trabalhos de reconstrução das 19 cidades atingidas pelas cheias do ano passado, que afetaram cerca de 200 mil pessoas em Alagoas.

Segundo Nonô, 17,6 mil casas estão sendo feitas pela Caixa Econômica Federal. "Como a construção desses imóveis é tocada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, será cobrada uma quantia de cada família, mas estamos tentando com o governo federal a liberação total das prestações pelo menos para as famílias com renda de até um salário mínimo", afirmou Nonô.

Cada casa tem um custo médio de R$ 42 mil. Para a construção dos 17,6 mil imóveis, a Caixa reservou R$ 713 milhões. Parte desses recursos, algo em torno de R$ 110 milhões, já foi gasta. O secretário estadual de Infraestrutura de Alagoas, Marcos Fireman, disse que também serão construídas 250 casas em Jundiá, 99 em Ibateguara e 90 em São Luiz do Quitunde, chegando a cerca de 18 mil casas oferecidas aos desabrigados.

As obras dos imóveis para os desabrigados estão mais avançadas nos municípios de Rio Largo e Quebrangulo. Na cidade de Santana do Mundaú, onde serão construídas cerca de 2 mil casas, as obras nem começaram. Estão em andamento os trabalhos de terraplenagem do terreno. A demora se deu pelo fato de o governo ter tido dificuldades para encontrar uma área segura, longe do rio, para a construção do conjunto residencial.

Recursos. Fireman disse ainda que o governo federal destinou, na semana passada, R$ 8 milhões para projetos de prevenção de catástrofes, como contenção de barreiras e monitoramento de rios. Segundo o secretário, o monitoramento dos rios já está sendo feito pela Secretaria Estadual de Recursos Hídricos. Por isso, essa verba deve ser investida na construção de barragens nos Rios Mundaú e Paraíba, que cortam as cidades atingidas pelas enchentes do ano passado.

Tragédia. Segundo a Defesa Civil Estadual, as enchentes deixaram 27.757 desabrigados e 44.504 desalojados, em um total de 18 mil casas destruídas ou danificadas. Ao todo, 27 pessoas morreram. Nos acampamentos, os desabrigados reclamam da comida, das barracas furadas, da falta de água e da pouca assistência à saúde das crianças, Além disso, a maioria das famílias tem integrantes desempregados.

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