Fiscal que acusou secretário de Haddad será exonerada

A auditora Paula Sayuri Nagamati, que ocupa cargo na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, afirmou ao Ministério Público que o vereador Antonio Donato teve campanha financiada com fraude do ISS

O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2013 | 16h58

A servidora Paula Sayuri Nagamati, que acusou o secretário municipal de Governo, Antonio Donato, de receber dinheiro do grupo que fraudava o Imposto Sobre Serviços (ISS), será exonerada. A oficialização da dispensa deve ser publicada no Diário Oficial da Cidade nesta quinta-feira, 7.

Auditora fiscal de carreira, Paula ocupava o cargo comissionado de supervisora técnica 2 da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, pasta comandada por Luciana Temer (PMDB).

A funcionária prestou depoimento ao Ministério Público no dia 31, conforme revelou o Estado na coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy, nesta quarta. Ela declarou que ouviu de Ronilson Rodrigues, um dos líderes da quadrilha, que o grupo "apoiou a campanha" de Donato a vereador, financiada "com dinheiro, fruto da fiscalização".

Em reposta, o prefeito Fernando Haddad voltou a defender Donato e desqualificou as acusações da fiscal, dizendo que ela pertence ao "núcleo da quadrilha". A fraude no ISS foi cometida entre 2007 e 2012, durante a gestão de Gilberto Kassab, e pode ter desfalcado a Prefeitura em até R$ 500 milhões.

Outro envolvido com o esquema, Fabio Camargo Remesso, também foi suspenso do cargo na semana passada. Auditor fiscal, ele atuava como assessor na Secretaria Municipal de Relações Governamentais, cujo titular é João Antonio. Remesso foi indicado pelo vereador Nelo Rodolfo (PMDB).

Entenda. Quatro auditores fiscais da Prefeitura de São Paulo foram presos na manhã de quarta-feira, 30, acusados de integrar uma quadrilha que cobrava propina para reduzir o Imposto Sobre Serviços (ISS) devido por construtoras. O rombo estimado de R$ 500 milhões nos cofres do município é o valor que teria deixado de ser arrecadado de 2007 a 2012.

O ISS é um requisito para que os empreendimentos obtenham o habite-se, documento que atesta que a obra pode ser ocupada.

Um dos servidores, Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, foi solto na segunda-feira, 4, após acordo de delação premiada. Eduardo Horle Barcellos, Ronilson Bezerra Rodrigues e Carlos Di Lallo Leite do Amaral permanecem detidos.

A ação é a primeira da "Operação Acerto de Contas", parceria da Controladoria Geral do Município e do Ministério Público Estadual para combater a corrupção dentro das repartições municipais. O esquema é tratado pelo prefeito Fernando Haddad como "um dos maiores escândalos já descobertos na cidade".

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