Fiscal investigado tem imóvel com 23 quartos e 7 suítes

O engenheiro Roberto de Faria Torres é acusado de extorquir dinheiro de comerciantes da CPI dos Alvarás; ele nega

O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 22h25

SÃO PAULO - Um dos 19 imóveis do fiscal da Prefeitura Roberto de Faria Torres, investigado pela Prefeitura e pelo Ministério Público Estadual após ser flagrado pelo programa Fantástico, da Rede Globo, pedindo R$ 15 mil de propina a um comerciante, é uma casa de campo com 23 quartos, piscina e sete suítes. O imóvel, revelado pela Folha de S.Paulo, fica em Aguaí, a 193 quilômetros da capital. 

Defensor de Torres, o criminalista Davi Gebara confirma a propriedade do imóvel. Mas diz que o bem foi adquirido licitamente. “Ele tem como comprovar tudo”, garante.

O fiscal foi flagrando quando pedia propina para um comerciante em troca de um laudo. Ele estava a serviço da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal aberta para investigar a situação dos alvarás da cidade.

Torres já era investigado pela Controladoria-Geral do Município de São Paulo desde que os sistemas de controle do órgão detectaram patrimônio muito superior à renda do fiscal, que recebe R$ 4 mil por mês.

“A maioria dos imóveis dele foi adquirida antes mesmo de ele entrar como funcionário público. Desde que ele entrou, ele apresenta a declaração de patrimônio e a declaração de Imposto de Renda à Controladoria. Ele não tem nada o que esconder”, disse o advogado do fiscal.

Ao negar a origem ilícita do dinheiro que permitiu a compra de tantos apartamentos, Gebara justifica o tamanho do patrimônio alegando que Torres recebeu heranças. “Uma parte é oriunda de herança e outra parte é fruto do trabalho dele. Ele é engenheiro há mais de 30 anos”, disse o defensor.

“O preço do metro quadrado ali é outro. Colocam como uma casa de milionário. O metro quadrado aqui é um preço. No interior, é outro. É tudo diferente. Lá, você está falando de uma cidade de 35 mil habitantes, não é uma cidade como São Paulo. Não está falando de Alphaville. Lá, o terreno é irrisório. É isso que eu gostaria de deixar bem claro”, afirmou o advogado, ao falar da casa - sem negar o tamanho da mansão. 

Caso Aref. Antes de trabalhar na Secretaria Municipal de Finanças, órgão da Prefeitura de onde foi cedido para a Câmara, para auxiliar na CPI, o fiscal havia atuado na Secretaria Municipal de Habitação. É o mesmo órgão onde o fiscal Hussain Aref Saab despachava - ele ficou conhecido por ter 106 apartamentos registrados em seu nome.

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