Fiscais pagaram propina a policiais, diz testemunha

Os fiscais suspeitos de envolvimento na quadrilha do Imposto sobre Serviços (ISS) também são acusados de pagar propina a um policial civil. Testemunha mantida em sigilo disse ao Ministério Público Estadual (MPE) que um delegado pediu R$ 7 mil dos auditores para verificar se havia investigação contra o grupo.

Artur Rodrigues, Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2013 | 02h07

A data em que o delegado cobrou a propina não é revelada. "A testemunha não sabe indicar qual é o departamento policial envolvido", relata o documento ao qual o Estado teve acesso.

De acordo com a testemunha, Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como líder do esquema, soube por outro auditor fiscal que diversos servidores eram investigados na Polícia Civil. Rodrigues e Eduardo Horle Barcellos, segundo a testemunha, pagaram.

SPTrans. Outra revelação que consta do depoimento é que, já em sua passagem pela Secretaria Municipal de Transportes, na gestão Fernando Haddad (PT), Rodrigues influenciou o resultado de uma licitação da São Paulo Transporte (SPTrans), empresa que gerencia o sistema de ônibus da cidade.

Segundo o depoimento, um amigo de Rodrigues pediu ajuda. Ele "participou de uma licitação na SPTrans e estava com dificuldades no certame", diz o relatório. O amigo "queria que Ronilson (Rodrigues) conversasse com (o secretário adjunto de Transportes José) Evaldo (Gonçalo), para que a empresa não fosse desclassificada no certame. Evaldo indicou uma pessoa para Ronilson conversar, que era responsável pela licitação. Ronilson contou ter tido êxito nessa conversa, pois a empresa de interesse acabou sendo agraciada com algum lote menor da licitação".

Segundo a SPTrans, a licitação citada no depoimento refere-se a um plano de obras estimado em R$ 6 bilhões. "A partir dos resultados da pré-qualificação de dez lotes da concorrência de execução de obras do Plano de Mobilidade Urbana, o sobrenome citado (do amigo de Rodrigues) coincide com o do diretor administrativo de uma empresa que participou de um consórcio que se inscreveu, mas não foi pré-qualificado", informou a empresa, cujo presidente é o secretário de Transportes, Jilmar Tatto.

Ainda segundo a nota, "José Evaldo Gonçalo não é investigado". "As investigações da Controladoria correm em sigilo", afirma.

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