Fim dos fretados em SP chegou a tirar usuários do Metrô

Números com a restrição ficaram abaixo das projeções municipais; o mesmo ocorreu com trens da CPTM

Eduardo Reina, O Estado de S. Paulo,

14 de outubro de 2009 | 09h02

A Secretaria Municipal dos Transportes errou na projeção que fez sobre o crescimento na demanda de passageiros nas estações da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), após a restrição de ônibus fretados numa área de 70 km² da capital paulista. Os números projetados ficaram muito abaixo do que foi registrado pelas duas companhias de transporte.

Embora a Prefeitura negue que mais carros tenham ido para a rua após a restrição, os índices de congestionamento apontam uma cidade mais engarrafada. O mês de setembro teve média de 71,3 km de lentidão nos dias úteis, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). No mesmo período de 2008, a CET havia registrado média de 65 km. Já agosto foi atípico, por causa do adiamento no início das aulas com a gripe suína - o que contribuiu para haver menos veículos nas ruas. Mesmo assim, a CET registrou média de 63,9 km de engarrafamentos, ante 69 km no mesmo mês de 2008.

CRÍTICAS

"Essa restrição não teve fundamento. Quem tinha o conforto de um fretado não vai usar trem mesmo. Além disso, quem deixou o fretado passou a andar de carro. O resultado a gente vê todos os dias: são engarrafamentos cada vez mais insuportáveis", critica o deputado estadual Orlando Morando (PSDB), da Comissão de Transporte da Assembleia Legislativa.

Vanessa Giedre de Andrade Cheachiri, vendedora de software, é o típico exemplo de usuário de ônibus fretado que migrou para o carro particular após a restrição, contribuindo para aumentar os congestionamentos. "Não valia mais a pena usar fretado. Pagava mensalmente o ônibus e tinha de gastar também com o metrô", reclama ela, que utilizou os coletivos fretados por cinco anos para ir de casa, em São Bernardo do Campo, até a Avenida Paulista, na capital, onde trabalha.

Além do gasto, segundo Vanessa, o tempo de viagem no retorno para casa, no fim do expediente, aumentou. "Eram duas linhas da empresa que eu usava que vinham da Paulista para o ABC. Uma delas foi cancelada porque os passageiros optaram por usar o carro próprio, em vez de fretado e metrô. Então, juntaram as pessoas num ônibus só e a linha ficou mais extensa", conta.

Com relação à entrada de passageiros no metrô, a Prefeitura estimava que a Estação Parada Inglesa da Linha 1-Azul fosse receber 7 mil passageiros a mais nos dias úteis, que desceriam de ônibus fretados no terminal e ingressariam no sistema sobre trilhos. Mas, segundo a companhia, antes do dia 27 de julho, data em que passou a vigorar a restrição, a média de entrada de passageiros na Parada Inglesa era de 15.953 pessoas, ante 15.931 após a restrição, uma diminuição de 0,14%. Também houve variação negativa na Estação Brás da Linha 3-Vermelha (0,9% ou menos 114 passageiros, em relação aos 12.694 do mês anterior).

Segundo o Metrô, o período medido também leva em consideração variáveis como o prolongamento das férias escolares de meio de ano. "Por conta disso, não é possível atribuir à restrição de circulação dos fretados a redução na entrada de passageiros", informou a companhia.

De acordo com a Associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Fretamento do Estado (Assofresp), desde o início da restrição aos fretados o número de ônibus que faziam as linhas da zona leste da capital para as Avenidas Faria Lima, Luís Carlos Berrini e Paulista foi reduzido em 50%, por falta de passageiros. "Tínhamos 450 linhas diárias", diz o diretor da Geraldo da Silva Maia Filho.

Nem onde houve aumento de passageiros - nas Estações Vila Madalena, Sumaré e Imigrantes da Linha 2-Verde; todas de acesso à região da Avenida Paulista - a projeção feita pela Prefeitura foi acertada. Na Estação Imigrantes, por exemplo, se registrou incremento de 23,73% (3 mil passageiros), enquanto o estudo municipal apontava que haveria mais 7 mil. Na mesma linha, na Estação Sumaré, a Prefeitura apontava que haveria aumento de 3.500 usuários por dia, quando na realidade se ganhou 2.331.

CPTM

E o erro se repete com os trens da CPTM. A secretaria municipal previa crescimento de 500 passageiros na Estação Barra Funda, quando o registro foi mais que o dobro, de 1.017 pessoas em média por dia. Já nas Estações Morumbi, Berrini, Cidade Jardim, Hebraica-Rebouças e Pinheiros, na Marginal do Pinheiros, entraram a mais com a restrição 1.076 passageiros por dia. O estudo da Secretaria dos Transportes previa 1.200 pessoas.

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