''Fim do caso não trará Vanessa de volta''

A última sexta-feira foi particularmente difícil para o gerente administrativo Vanderlei Luiz de Oliveira, de 34 anos. No mesmo dia em que se soube que o assassino de sua noiva, a coordenadora de vendas Vanessa Duarte, de 25, era um vizinho - que estava foragido até ontem -, Vanderlei enfrentou outro martírio: passou o dia cancelando os compromissos do casamento deles, marcado para novembro. Os dois namoravam havia quatro anos e dois meses. O casamento ocorreria na Igreja de Santo Antônio, em Barueri. Vanderlei diz que pretende vender o apartamento de 76m2, com dois quartos, que os dois estavam comprando em um bairro de classe média da cidade. Cada um pagava metade da parcela mensal de R$ 800.

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2011 | 00h00

Faz alguma diferença saber que o assassino de sua noiva era um ex-presidiário?

Não. A gente só pensa que, se ele estivesse preso, como deveria, isso não teria acontecido. Dá revolta.

Você o reconheceu?

Pela foto, não.

Como tem sido a reação das pessoas?

Como não foi morte por acidente ou doença, a gente acaba se prendendo na investigação para saber quem foi. Nesse momento, todos têm a expectativa de prender esse cara ou esses (são dois os suspeitos). Depois, acho que vai piorar bastante.

Piorar?

Sim, porque não vai adiantar nada saber, ela não vai voltar. Fica todo mundo querendo saber quem foi, mas para preencher o vazio da perda. O fim da investigação não vai trazer o alívio que se espera.

Você tem vontade de se encontrar ou conversar com ele?

Sinceramente, não. Na verdade, me revoltava muito quando sabia de histórias assim com outras pessoas. Assistia na televisão e ficava pensando: "Queria matar um filho da p. desses".

Em relação aos assassinos de Vanessa, não sente o mesmo...

Estou tentando manter o coração tranquilo. Não vou alimentar o ódio, para ele não crescer. Não tive educação para odiar ou desejar coisa ruim a ninguém. Sinto saudade só, muita saudade, tristeza e uma sensação de impotência.

Como você imagina o homem que, sem nenhum motivo, matou sua noiva?

A cabeça do ser humano é complicada. Ele pode ser um cara destrutivo ou um safado mesmo. Poderia estar drogado. Não vai ser difícil saber quando o pegarem. Mas que diferença fará?

De que forma as pessoas que o cercam, amigos e conhecidos, o apoiam?

Todos são muito solidários, o que ajuda e, às vezes, atrapalha. Há muita especulação.

Você também estava curtindo a festa de casamento?

Não como a Vanessa; o homem, em geral, não alimenta a mesma expectativa que a mulher. Ela sempre teve o sonho de se casar na igreja. Diria que era até meio obsessiva.

Onde vocês se conheceram?

Ela começou a trabalhar na mesma empresa que eu. Entrou na área comercial, eu trabalhava no planejamento de produção. A gente foi se conhecendo aos poucos. Eu controlava o trabalho, ela sempre foi excelente funcionária.

O namoro começou logo?

Eu gostei dela desde o início. No começo, a gente saía, ficava. Um mês depois, oficializamos o namoro.

Quando você olha para frente, o que vê?

No momento, sinceramente, nada. Não sei...

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