Fim de semana terá ações conjuntas

Ministro e governador falam que medidas serão adotadas, mas não dão detalhes; Cabral destaca que nunca faltou apoio de Dilma

RAFAEL MORAES MOURA, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 Março 2014 | 02h03

Um dia após ataques a Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o Palácio do Planalto e o governo do Rio acertaram ontem o envio de tropas federais à capital fluminense. Uma nova reunião foi marcada para segunda-feira para acertar mais detalhes da ação conjunta no enfrentamento ao crime organizado.

"As perguntas que vocês me fizerem sobre que forças vão intervir, onde vão intervir, como vão intervir, eu não poderei responder", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em conversa com jornalistas, após reunião no Planalto com a presidente Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a cúpula da segurança do Rio. Mas deixou claro que a orientação da presidente é de apoiar o Rio naquilo "que for possível".

Na segunda-feira, Cardozo e o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, estarão no Centro Integrado de Comando e Controle, no Rio, para tratar do assunto com as autoridades locais. A ideia do governo, explicou Cardozo, é aprofundar as discussões com base nas diretrizes discutidas ontem. "O governo federal já estará apoiando eventuais medidas que devam ser tomadas neste fim de semana. Temos concepção clara: governo federal e do Rio são mais fortes juntos que o crime organizado", comentou Cardozo.

Na avaliação de Cabral, o Estado tem de se mostrar "forte, unido, capaz de debelar o crime organizado" em um momento em que a marginalidade tenta reocupar territórios e desmoralizar a polícia. "Quem quer guerra são os marginais. Nós queremos paz nas comunidades. Quem quer guerra, quem quer conflito, quem quer atirar em policial militar covardemente são eles. A nossa polícia está muito motivada, tem feito grandes investigações, contado com o apoio das forças federais, e este fim de semana também será de grandes trabalhos", afirmou Cabral.

Segundo o governador, "a presidente Dilma nunca nos faltou com seu apoio, com a sua solidariedade em todos os momentos do nosso governo". "Então é mais uma hora de prova dessa solidariedade", disse Cabral.

Decreto. Apesar das declarações públicas de apoio, nem Cardozo nem Cabral falaram sobre a necessidade de a presidente Dilma Rousseff assinar um decreto para que as tropas federais possam atuar no Rio de Janeiro. Há um legislação que trata da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que estabelece as regras para atuação das Forças Armadas nos Estados.

Para que isso ocorra, primeiramente o governo do Rio precisa encaminhar um pedido ao governo federal, informando que as polícias do Estado não têm condições de garantir a ordem. Com o pedido feito, a presidente da República assina um decreto autorizando o envio das Forças Armadas.

Copa. Questionado sobre os ataques às UPPs meses antes da realização da Copa do Mundo, o ministro Cardozo respondeu que o País tem um plano de segurança e o evento será realizado com um "excelente padrão" para garantir a tranquilidade da população e de turistas. A questão da segurança pública preocupa a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI).

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