Fim de semana menos sangrento poupa jovens de SP

Assassinatos têm forte queda em uma década; em 2001, 1.193 morreram só aos sábados, contra 1.172 em todo o ano de 2011

AMANDA ROSSI, BRUNO PAES MANSO E JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2013 | 02h02

O índice de assassinatos nos fins de semana caiu drasticamente na capital no período de dez anos. Os sábados de 2001 em São Paulo foram tão sangrentos que registraram mais mortes do que todo o ano de 2011. Foram 1.193 assassinatos, uma média de 23 casos por sábado, quase todos concentrados na periferia. Enquanto isso, ao longo de todo o ano de 2011, houve 1.172 assassinatos, média de 3 por dia.

A redução dos assassinatos na cidade, entre 2000 e 2011, se concentrou principalmente nos fins de semana, segundo dados do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade no Município de São Paulo (PRO-AIM). Em números absolutos, a redução das mortes aos domingos, no mesmo período, chegou a 84%. Passou de 1.162 para 162.

O porcentual é pouco acima da queda anual por 100 mil habitantes na cidade. Em 2000, havia 57,3 homicídios por 100 mil habitantes. Onze anos depois, em 2011, foram 11,8 casos por 100 mil, redução de 80% na capital.  

Os números consolidados pelo órgão municipal, porém, não conseguem captar a explosão da violência intensificada em outubro de 2012.

A crise na Segurança Pública, que mobilizou até o governo federal, culminou na queda do ex-secretário Antonio Ferreira Pinto, em novembro.

Muitas coisas mudaram nos fins de semana desses bairros. Na cultura, o hip-hop acabou cedendo lugar aos pancadões do funk. Os cantores de rap falavam sobre o cotidiano violento das periferias. Já o funk, 11 anos depois, deixou a crítica social de lado para celebrar os excessos, em tempo de maior consumo e relativa paz.

Os jovens da década de 1990 que cresceram nas periferias e passaram dos 25 anos se autodefiniram como "sobreviventes". Em 2000, morreram 2.247 jovens entre 15 e 24 anos, a faixa etária com maior quantidade de vítimas assassinadas.

Onze anos depois, foram 327 da mesma faixa etária, que já havia se tornado a segunda entre as idades mais vitimadas. A faixa entre 25 e 34 anos assumiu a liderança, com 344 homicídios. 

Mapa. As mudanças territoriais também foram relevantes. No centro da cidade, a Barra Funda, que era um bairro violento, com 31 homicídios por 100 mil habitantes, não registrou um único homicídio entre 2010 e 2011. Já Marsilac, no extremo da zona sul, foi um dos raros distritos que registrou crescimento nas taxas. Passou de 11,9 homicídios por 100 mil para 24,3 casos.

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