Daniel Teixeira / Estadão
Daniel Teixeira / Estadão

SP tem a tarde mais fria do ano; fim de semana pode chegar a 3ºC

Menor temperatura da capital é estimada em Parelheiros; segundo Climatempo, todas as cidades do Estado vão registrar recordes

Felipe Cordeiro, Marco Antônio Carvalho e Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2016 | 15h29

SÃO PAULO - O paulistano tirou de vez os casacos do armário na tarde desta terça-feira, 7 – e não deve voltar a guardá-los tão cedo. A cidade registrou a tarde mais fria para um mês de junho desde 2008 – a máxima no Mirante de Santana, na zona norte, foi de 14,8ºC. E, de acordo com meteorologistas, a temperatura vai cair ainda mais nos próximos dias. 

A Climatempo prevê que as mínimas variem entre 3ºC e 6ºC no sábado e no domingo, enquanto a máxima deve chegar a 16ºC. Nesta quarta-feira, 8, a previsão fica entre 9ºC e 17ºC. Na quinta, estima-se um grau a menos na mínima e na máxima. Sexta-feira, os termômetros devem ficar entre 7ºC e 20ºC.

Este cenário é causa de sofrimento para o cão Francisco, buldogue francês que caminhava pela Rua Oscar Freire na tarde desta terça, devidamente agasalhado, ao lado da dona de casa Eliane Silva, de 46 anos. “Ele é muito friorento. Não sei se é da raça ou da personalidade mesmo”, afirma Eliane. “Com o frio que está, em casa ele fica enrolado com dois cobertores.”

Sorvete. Já a empresária Duda Escobar, de 67 anos, aproveitou que a temperatura caiu para tomar sorvete. “Eu amo sorvete no frio. Mais do que no calor. Gosto da sensação de me sentir quentinha e tomar algo gelado”, diz, emendando que, enfim, ela é um pouco suspeita porque tem predileção por temperaturas mais baixas. “Costumo brincar que minha mãe errou na fórmula: era para eu ter nascido pinguim; acabei nascendo mulher.”

O frio intenso foi assunto até entre os parlamentares paulistas. No início da noite de desta terça, em sessão na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o deputado estadual João Paulo Rillo (PT) começou sua argumentação citando a baixa temperatura. “Para mim, este frio me remete à Sibéria”, disse o político. 

Para quem trabalha na rua, a queda de temperatura traz consequências diretas no dia a dia. “O frio castiga muito a gente”, reclama o músico Fernando Loko, de 26 anos, entre um rock e outro de sua guitarra, na Rua Augusta, a uma quadra da Avenida Paulista.

"Congela os dedos. Fica tudo dolorido.” Ele conta que, como as pessoas preferem ficar abrigadas, seu “público” também cai – são poucos os que se aventuram parados na rua. Dessa forma, o faturamento diminui. “Com esse frio, acabo ganhando uns 60% a menos de cachê”, calcula, apontando para as moedas e notas de sua caixa.

Já o caricaturista Ângelo Luís Pasini, de 45 anos, “dava de ombros” para o frio na tarde de onte, na frente do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. “Como sou gaúcho, para mim nem está tão frio assim”, gabava-se. Segundo ele, a baixa temperatura não atrapalha a destreza de seus dedos na hora de desenhar a clientela na rua. “Agora, quando chove, aí tenho problemas. Qualquer garoa já estraga meu papel.”

Segundo a Climatempo, uma massa de ar vinda do Sul do País avança em direção a São Paulo e é a causa da queda de temperatura em todo o Estado nos próximos dias. Todas as cidades paulistas devem registrar recorde de frio no ano dentro de alguns dias – na capital, o menor valor foi verificado em 24 de maio, quando a mínima atingiu 9,5ºC. 

Neve no Sul. De sábado para domingo, é possível haver a ocorrência de geada em alguns pontos da Grande São Paulo, e a região deve amanhecer sob nevoeiro. No Sul do País, a previsão é de neve nos próximos dias.

Mais conteúdo sobre:
SÃO PAULO Climatempo Parelheiros

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.