Fim de elevado cria rota cultural no Rio

Circuito carioca com 12 museus em menos de 4 quilômetros, margeado pela Baía de Guanabara, poderá ser percorrido a pé

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2014 | 02h01

O melhor roteiro cultural do Rio é desconhecido de cariocas e turistas. Encoberto pelos trechos ainda de pé do Elevado da Perimetral e emperrado pelas obras e desvios no trânsito na região portuária, um circuito de museus e centros culturais de menos de quatro quilômetros de extensão, margeado pela Baía de Guanabara e passível de ser percorrido a pé, deve virar ponto de atração de visitantes até o fim deste ano.

São 12 pontos destacados pelo Estado por sua relevância e valor arquitetônico. A rota começa na Avenida Rodrigues Alves, onde serão abertos a Fábrica de Espetáculos do Teatro Municipal, um galpão que exibirá cenários e figurinos de balés e óperas; o Museu do Amanhã, um espaço dedicado à ciência sobre o Píer Mauá, avançando na baía; e o AquaRio, pensado para ser o maior aquário da América do Sul.

O traçado segue pelo Museu de Arte do Rio (MAR), primeiro empreendimento da área a ficar pronto, na direção da Praça 15, tendo no caminho o Centro Cultural Banco do Brasil e seus vizinhos, o Centro Cultural Correios e a Casa França-Brasil. O trio se consolidou como opção cultural diversificada no centro histórico (o CCBB teve as exposições mais visitadas do País em 2013, segundo ranking da revista inglesa The Art Newspaper).

Na Praça 15, há opções para quem se interessa por história do Brasil, no Espaço Cultural da Marinha; arte de diferentes escolas, no Paço Imperial; e música brasileira, no Museu da Imagem e do Som. Chegando ao Museu Histórico Nacional, o visitante pode conhecer a maior coleção de moedas da América Latina. E basta caminhar um quilômetro para desfrutar do Museu de Arte Moderna, que abriga uma das mais completas coleções de peças brasileiras que existem. "Esse roteiro vai ser uma grande novidade na cidade", acredita o arquiteto Luiz Fernando Janot, que era contra a derrubada da Perimetral, iniciada em 2013, por acreditar se tratar de um gasto muito alto, mas reviu a posição ao avaliar os resultados (a remoção deve estar finalizada no fim do ano, segundo a Prefeitura).

"A qualidade do projeto de urbanização dessa faixa litorânea, que acompanha a baía, será fundamental para atrair a população", afirma Janot. "Deveria ser feito um concurso público de arquitetura e urbanismo, como ocorreu há 50 anos com o Aterro do Flamengo. A prefeitura não deve deixar isso na mão das empreiteiras", completa.

O circuito, lembra Janot, une a "cidade antiga" - o porto, por onde chegavam até navios negreiros - e a "cidade nova" - a da Avenida Rio Branco, que direciona para as praias da zona sul. Um desvio rápido leva a ícones da vida cultural do centro, como o Museu Nacional de Belas Artes, o Teatro Municipal e a Biblioteca Nacional - e ao Centro Cultural da Justiça Federal.

Expectativas. Os efeitos da retirada da Perimetral já são sentidos, mas a expectativa é de que, com a conclusão das obras, o circuito fique mais visível nos próximos meses. A direção do AquaRio, no entanto, optou por abri-lo só no fim de 2015. "Se eu fosse inaugurar em meio ao trânsito e às obras, fecharia logo. A previsão para a instalação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT, que vai integrar a Praça 15 e o Aeroporto Santos Dumont ao porto) é para daqui a um ano; só aí teremos nosso boulevard", diz o idealizador, o biólogo marinho Marcelo Szpilman. Os testes com o VLT serão neste ano, mas a conclusão das intervenções urbanísticas é prometida para a Olimpíada de 2016.

O curador do Museu do Amanhã, o físico Luiz Alberto Oliveira, avalia que o melhor é abrir aos poucos. Assim, a população vai se acostumando a frequentar a área do porto. A data de abertura já foi definida: 1.º de março de 2015, aniversário de 450 anos de fundação do Rio.

Alberto Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio, considera que a boa visitação do MAR, mesmo em meio a barreiras e trânsito, mostra o potencial de atração da região: em um ano e quatro meses, foram mais de 423 mil visitantes. "Teremos uma outra marca para o turismo, outra Copacabana. Com a visibilidade do acervo arquitetônico e cultural, este vai ser 'o' lugar no Rio."

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