Fim de aterro multiplica preço por 12

Ao longo dos anos 1980, depois que moradores da Vila Prudente invadiram 22 campos de futebol de várzea, Heliópolis foi se adensando e se tornou uma das favelas mais populosas do Estado. A violência e a precariedade das condições de vida das famílias locais ficaram para trás, conforme os movimento sociais pressionavam o poder público. Atualmente, está perto do Metrô Sacomã, a menos de 10 minutos de caminhada. Como em Paraisópolis, lá há canteiro de obras por todos os cantos, com novas habitações, canalização de córregos, asfalto e esgoto.

O Estado de S.Paulo

29 Abril 2012 | 03h01

A arquiteta Renata Semin, da Piratininga Associados, autora de um projeto residencial em Heliópolis exibido na Bienal de Arquitetura de Roterdã (Holanda), não acredita que a valorização dos imóveis e a construção de conjuntos sofisticados possam dar ao longo dos anos um perfil de classe média para bairros que foram favelas. "Esses processos foram conquistas após lutas que duraram décadas. Agora que os resultados estão vindo, acho difícil que os moradores vendam suas casas."

Outro exemplo é o Jardim São Francisco, na zona leste. Vizinho do aterro São João, o bairro antes só tinha imóveis desvalorizados pela contaminação dos terrenos e pelo mau cheiro do lixo. As condições de moradia eram consideradas piores que em outras favelas. Agora, isso mudou. O aterro foi desativado e será transformado em parque, anexo ao do Carmo. "Ainda tem o Rodoanel, que liga a zona leste ao caminho das praias", diz a líder comunitária Maria do Carmo Rodrigues. A valorização acompanhou as mudanças - uma casa com sala, cozinha, quarto e banheiro que saía por R$ 5 mil hoje é vendida por R$ 60 mil. / B.P.M.

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