Fim de ano em SP tem Mercadão lotado e corrida a loterias

Quem ficou na capital se divide entre as últimas compras para ceia e a aposta na Mega da Virada

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Os últimos dias do ano para o paulistano têm sido de tranquilidade no trânsito, calor e corrida ao comércio nos preparativos para a festa da virada. Quem decidiu ficar na capital se dividiu entre as compras para a ceia, a aquisição da ornamentação para a chegada de 2017 e a tradicional aposta na Mega Sena da Virada, responsável pela intensificação do movimento das casas lotéricas nesta semana.

Nas imediações do Mercado Municipal, na região central, o trânsito e a dificuldade para encontrar vagas de estacionamento à tarde destoavam do fluxo calmo no restante da cidade. Dentro do Mercadão, a quarta-feira se transformou em fim de semana, com intenso movimento e bares e lanchonetes ocupados pelos clientes. 

Pesquisando os preços dos produtos que vão compor a ceia na virada do ano, a advogada aposentada Nadir Vieira, de 73 anos, foi ao local em busca de economia. Moradora do bairro de Moema, na zona sul, Nadir reunirá a família no próximo sábado e disse ter encontrado preços mais caros em comparação com o ano passado. “Já comprei o bacalhau, mas esse ano vou ter de usar a esperteza. Não posso sair comprando quilos e quilos”, disse.

Perto dali, o vendedor Fabio Bueno Galhardo tentava atrair clientes para a sua banca de bebidas. A R$ 80, o item mais procurado era o espumante Chandon, mas também havia opções mais em conta para quem buscava economia, a partir de R$ 30. Galhardo contou que desde a semana passada, em preparação para o Natal, o movimento já havia aumentado e se manteve nos últimos dias. 

Mesmo assim, o vendedor estimou que, em comparação com o ano passado, o fluxo de consumidores caiu até 40%. “Até a caixinha da gente caiu”, lamentou ele. 

Acompanhada da mãe e da filha, a esteticista Roberta Silva, de 43 anos, já havia comprado o leitão e procurava o preço ideal do lombo para encerrar a lista do dia. “Vim para cá em busca de mais opção, já que não havia encontrado o que queria no meu bairro”, disse.

Perto do Mercadão, a Rua 25 de Março fervia. No fim da tarde, nuvens que denunciavam chuva haviam encoberto o forte sol, dando um descanso para quem andava o dia todo em busca de apetrechos e decoração para as festividades.

Sorte. Além da correria para as compras, a aproximação do ano-novo tem causado filas nas casas lotéricas ao redor da cidade. A administração de uma delas, localizada na Praça João Mendes, no centro, relatou que a Mega da Virada tem concentrado a maioria das apostas. 

Se depender da empolgação da vendedora Rosilene Barbosa, de 48 anos, o prêmio já tem dona. “Eu sei que vou ganhar”, disse ela, que apostou junto com a enteada Stefanny Gonçalves, de 21 anos. E sobre como pretende gastar o valor de R$ 225 milhões estimados para o sortudo, Rosilene já tem o plano na ponta da língua: “Vou dividir entre meus quatro filhos e vou ajudar meu marido e meu ex-marido. Não preciso me preocupar com o resto.”

Os dias seguintes ao sorteio devem ser de folga se o assistente financeiro Tiago Alves, de 24 anos, for o vencedor do sorteio. “Nunca mais vou trabalhar”, disse sorridente, na tarde desta terça-feira, 28, com a aposta na mão. Para ele, não há superstição envolvida. “Joguei números aleatórios. As chances são as mesmas”, completou.

Não é no que acredita o jornalista Hélio Oliveira, de 54 anos, que toda semana há duas décadas aposta na mesma sequência. “Nunca ganhei, mas tem de acreditar que vão sair esses números. A numerologia me disse que são esses os certos.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.