Fim da greve da Polícia Civil não é acatada em todo o Estado

Apesar da decisão do STF, policiais de Ribeirão Preto e do Vale do Paraíba não retomaram atividades

da Redação, estadao.com.br

13 de novembro de 2008 | 16h49

Enquanto nas delegacias da capital, do litoral e de outras cidades do interior do Estado o atendimento começou a ser normalizado nesta quinta-feira, 12, os policiais de Ribeirão Preto e da região do Vale do Paraíba continuavam paralisados. Boa parte dos policiais voltaram ao trabalho após decisão do ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, que determina que o atendimento volte a normalidade. No começo da manhã, os funcionários de São Paulo aguardavam a publicação da medida, mas resolveram retornar ao trabalho.   Veja também: Leia a íntegra da decisão do ministro Eros Grau  Assembléia Legislativa de SP aprova aumento de 6,5% a policiais Ouça o hino da greve dos policiais civis  Entrevista exclusiva com José Serra  Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista   Todas as notícias sobre a greve         Em Ribeirão Preto, a decisão será tomada em reunião nesta sexta-feira. O encontro está  marcado para a tarde no pátio do prédio do 1.º Distrito Policial, no centro. "A greve continua até a definição nessa reunião, mas acredito que a categoria irá optar pelo encerramento da paralisação", disse Maria Alzira da Silva Corrêa, presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Região de Ribeirão Preto (Sinpol). Funcionários de alguns distritos informaram que a greve continuaria até sexta e que apenas os casos emergenciais e urgentes, basicamente criminais, seriam atendidos. Registros de perdas de documentos, por exemplo, continuariam sem atendimentos, pois podem ser feitos boletins de ocorrência pela internet.   Para Maria Alzira, a greve poderia ter sido evitada caso a negociação com o governo estadual, iniciada em março, tivesse uma solução antes. "Esse é um bebê que está nascendo", comenta ela. "Não era o que queríamos (reajuste), mas entendemos que já avançamos." Os policiais civis queriam três reajustes anuais, de 15%, 12% e 12%.   Mesmo com a aprovação pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo de projetos de lei que reestruturam as carreiras de delegados da Polícia Civil e concede reajuste salarial de 6,5%, a greve da categoria deve continuar no Vale do Paraíba. Na avaliação do dirigente sindical na região de Taubaté, Jeferson Fernando Cabral, "ninguém ficou contente com a votação dos deputados". Ele também questiona a decisão do ministro do STF. "Essa decisão é somente dele (Eros Grau) e ainda deverá ser referendada pelo plenário do STF. Se isso, então o movimento será suspenso, mas somente após a publicação no Diário Oficial da União", acrescentou.   A disposição em manter a paralisação no Vale do Paraíba é tão forte, que a base de Taubaté prepara uma "cremação" simbólica do governador José Serra (PSDB), na próxima segunda-feira, em Taubaté. Cabral, disse que o protesto está previsto para ocorrer na frente do primeiro distrito. Segundo ele, a categoria mantém 80% das atividades, mas admite que há prejuízo e morosidade principalmente nos inquéritos policiais. Ele estima que na região de Taubaté cerca de 10 mil inquéritos estejam em trâmite e na região de São José dos Campos esse volume pode até dobrar. As duas cidades são as maiores do Vale do Paraíba, que tem cerca de 2 mil policiais em greve na maior parte dos 39 municípios.   Trabalho normal   Segundo o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, José Martins Leal, "o bom senso indica que aqueles que tiverem conhecimento da decisão devem ir retornando à delegacias, assim o atendimento vai começar a se normalizar", explicou. "Até o fim da manhã, muita gente já tinha voltado ao trabalho, mas ainda não representa 1/4 do total de 35 mil policiais em todo o Estado", concluiu.   João Batista Rebouças, presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp), afirmou que os policiais civis só iriam retomar as atividades quando a decisão fosse publicada. Rebouças afirmou estar surpreso com a decisão do STF. "Causa surpresa e de certa forma revolta para não poder ter greve, lembra da época da ditadura de não ter este direito", disse.   Na região de Campinas, os policiais civis voltaram ao trabalho antes mesmo da publicação da decisão do STF no Diário Oficial da Justiça. Segundo informou o investigador e presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Campinas e Região, Aparecido Lima de Carvalho, a decisão de voltar antes da oficialização da decisão tem como principal motivo o respeito à população. "Recebemos essa orientação e cumprimos em respeito a quem precisa do nosso trabalho", disse.   O sindicato não apresentou números absolutos do atendimento, mas estima que o número de registros de ocorrência tenha caído 50%. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não possuía os dados sobre o atendimento na região (em período normal e durante a greve), mas solicitou o levantamento. "Com o decorrer da greve, as pessoas também deixaram de vir à delegacia pois compreenderam nossa luta. Atendemos os casos graves e os menos graves orientávamos para o registro do Boletim de Ocorrência pela internet", afirmou o presidente do sindicato que representa 57 cidades.   Na Baixada Santista, as delegacias voltaram a registrar os boletins de ocorrência até dos casos mais simples, como perda de documentos, afirmam fontes de Guarujá e Peruíbe. Em Santos, o presidente do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Estado de São Paulo na Região (Sinpolsan), Décio Couto Clemente, afirmou que não houve registros de confusões ou lotação das delegacias da Baixada durante todo o dia e que uma assembléia marcada para as 20 horas explicaria aos policiais a decisão tomada pelo comando da greve.   No entanto, Clemente criticou o fim da paralisação e afirmou que as lideranças nomeadas para negociar foram inábeis. "Na mesma hora que fizeram a proposta já aceitaram. Eles não ouviram as bases. Faltou habilidade", afirmando que agora, a categoria vai brigar por aumentos apenas na data base de 1º de março de 2010. "Não vai ter nem como a gente reclamar antes. Queríamos 15% e terminamos com 6,5%. Nós os autorizamos a negociar e não a decidir na hora", em referência a comissão negociadora formada por João Batista Rebouças, do Sindicato dos Investigadores, José Leal, do Sindicato dos Delegados, e André Dahmer, da Associação dos Delegados.   (Com Rejane Lima, Simone Menocchi, Tatiana Fávaro e Brás Henrique, de O Estado de S.Paulo, e Mônica Aquino e Solange Spigliatti, do estadao.com.br)   Atualizado às 19h33 para acréscimo de informações

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