Filósofa americana critica planos de educação sem 'gênero'

Cerca de 15 pessoas levantaram cartazes contra o que chamaram de 'ideologia homossexual' antes de apresentação de Judith Butler

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2015 | 19h16

Atualizada às 21h03

SÃO PAULO - A filósofa americana Judith Butler disse nesta quarta-feira, 9, que a retirada dos termos “igualdade de gênero” e “diversidade sexual” dos planos municipais, estaduais e nacional de educação foi um “erro histórico”. No entanto, ela afirmou que o debate não deve se encerrar neste momento. Uma das principais teóricas sobre gênero e sexualidade, Butler foi a principal convidada do seminário Queer, Cultura e Subversões das Identidades, realizado pelo Sesc e que teve início nesta quarta.

“Esse não é o fim da história. Haverá novas lutas, mas o debate não deve ser sobre colocar ou não as questões de gênero nos planos educacionais, mas como abordar esses temas. Esse não foi o ato final”, disse.  

Para a filósofa, existem dois erros no discurso dos grupos conservadores que são contra esse debate. O primeiro é de que as crianças só aprendem sobre sexo e sexualidade em casa. E o segundo é a contestação desses grupos sobre o conceito de gênero. “Se você nega que existem os gêneros, então nega o que diz a Bíblia, o que diz a ciência. Os estudos de gênero não negam o sexo, apenas abre um leque de questões sobre ele”.

Protesto. Cerca de 15 manifestantes que disseram ser católicos fizeram um protesto contra o seminário, em frente ao Sesc. Com bandeiras e cartazes, os manifestantes, que disseram ser católicos e integrantes do Instituto Plínio Correia de Oliveira, que criou nos anos 60 a organização Tradição, Família e Propriedade (TFP), afirmaram acreditar que o seminário tenta retomar a discussão sobre metas de igualdade de gênero e orientação sexual nos planos municipais e estaduais de educação. 

"Ela (Judith Butler) foi convidada a vir para o Brasil para ensinar a ideologia de gênero e fortalecer o movimento homossexual, que perdeu tanto nas câmaras municipais que rejeitaram a ideologia de gênero nas escolas", disse Daniel Martins, coordenador do instituto.

Os cartazes diziam "a ideologia de gênero nas escolas destruirá as famílias" e "Cuidado! Querem impor a ideologia homossexual". Os manifestantes eram em sua maioria homens adolescentes.

Antes do protesto, Judith já havia dito que está acostumada com protesto de grupos religiosos e conservadores e que isso não a preocupa. 

Tudo o que sabemos sobre:
São PauloSescprotestos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.