Filme sobre droga abre semana do baseado na USP

Estudantes fumavam maconha durante a sessão, apesar de a direção do evento, que vai até sexta, dizer que 'não serão fornecidas substâncias ilícitas'

JULIANA DEODORO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2012 | 03h04

Começou com a distribuição de pipoca, chocolate, bala e paçoca a Semana de Barba, Bigode e Baseado, evento promovido por alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). Cerca de 60 participantes do evento assistiam na noite de ontem ao filme Maria Cheia de Graça, a história de uma garota colombiana que engole cápsulas com drogas para levar aos Estados Unidos.

A sessão de cinema foi no Espaço Verde, uma sala da FFLCH. Nas paredes do local foram colocados cartazes com o recado: "Não porte substâncias ilícitas. O uso de drogas pode ser prejudicial à saúde, à família, à tradição e à propriedade", em uma alusão à Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP).

Os organizadores afirmam que não serão fornecidas drogas no evento, mas alguns estudantes fumavam maconha durante a exibição do filme, neste primeiro dia.

O evento vai até sexta-feira. O objetivo dos organizadores, ligados à Frente Uspiana de Mobilização Antiproibicionista (Fuma), é discutir a legalização da maconha. O movimento foi fundado no fim do ano passado, em meio aos protestos surgidos após a Polícia Militar flagrar três estudantes com maconha na FFLCH. Revoltados com a ação policial, alunos invadiram o prédio da diretoria da faculdade e, depois, um grupo menor ocupou a reitoria da USP.

Os estudantes dizem ter ficado surpresos com o número de participantes no primeiro dia. Eles não se identificam mais como alunos, só falam em nome da organização. "Esse tipo de atividade fica vazia na USP, principalmente no horário de aula."

Aluno da licenciatura em Geociências e Educação Ambiental, Renan Covre, de 24 anos, saiu do Instituto de Geociências (IGC) para ver o filme. Ele se interessa pelo tema porque desenvolve um projeto em escolas de ensino fundamental cujo objetivo é verificar a reação das crianças a temas como drogas, sexo e religião. "A legalização da maconha está sendo discutida pela sociedade, e a universidade é um ótimo lugar para que isso aconteça", disse.

Já o aluno de Filosofia Fábio Fernandes, de 26 anos, nem sabia por que havia tanta gente no Espaço Verde, onde ele jogava ping-pong no intervalo entre aulas. Quando descobriu o motivo da concentração - e de parte das luzes estarem apagadas - disse que era a favor da legalização, "mas não perderia aula para participar de um evento como esse".

Cervejada. No último dia de discussões será realizada uma cervejada no local em que os policiais militares flagraram o consumo de maconha e houve confronto com estudantes. O dinheiro arrecadado com a venda de bebidas será revertido para a Marcha da Maconha, movimento que defende a legalização da droga no Brasil.

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