Filme se inspira em fatos reais, mas reduz número de bandidos

''Não teríamos como colocar dezenas de ladrões na tela. E eles poderiam nos processar'', explica roteirista

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2011 | 00h00

Os produtores e roteiristas do filme Assalto ao Banco Central, que estreia na sexta-feira e foi exibido no Festival de Paulínia, fazem questão de frisar: os fatos são inspirados na realidade. Os personagens nem tanto. "Não teríamos como colocar dezenas de ladrões na tela. Além disso, eles poderiam nos processar", explica Renê Belmonte, roteirista.

Ainda assim, foram muitas as pesquisas tanto em reportagens quanto nos próprios autos para reencenar a história por si só já cinematográfica. Walkiria Barbosa, produtora da Total Entertainment, conta que foi "mais de um ano pesquisando e quatro meses só para construir o túnel cenográfico".

Foram contratados geólogos, empresas de segurança bancária e os atores receberam treinamento de agentes da Polícia Federal. O resultado levou um executivo da Fox Internacional, coprodutora do filme, a chutar o orçamento em uns US$ 50 milhões. "Gastamos R$ 7,5 milhões", diz Walkiria.

O elenco é estrelado. Milhem Cortaz interpreta Barão, o líder do grupo, que conta ainda com Eriberto Leão e Hermila Guedes. Lima Duarte e Giulia Gam são delegados da Polícia Federal. Cassio Gabus Mendes, um homem que descobre segredos dos assaltantes. "O que mais me impressionou na história real foi a forma como eles dividiram a grana", diz Cortaz.

Ele também estudou matérias jornalísticas para compor seu personagem. E, depois de participar dos dois Tropa de Elite, faz conjecturas ousadas sobre o que pode ter acontecido em Fortaleza. "Quem garante que não teve até alguém do governo por trás, querendo dar uma chacoalhada na economia ou desviar o foco por algum motivo?", pergunta.

O delegado Antonio Celso dos Santos, responsável pela investigação na vida real, considera que o filme e um livro que foi lançado no começo do ano não representam nem 1% da realidade. Os advogados Eliseu e Isaac Minichillo, que defendem alguns dos criminosos, também. "Mesmo sendo uma ficção, as pessoas vão sair de lá achando que viram a interpretação dos envolvidos reais", diz Eliseu. "E o personagem do Barão, inspirado no Alemão, é um sanguinário, coisa que o Alemão nunca foi."

O roteirista Renê Belmonte se defende, argumentando que estudou umas 500 páginas dos autos. "Todo filme baseado em fatos reais corre esse risco de "iludir" o espectador. Ele vai sair da sala de cinema sabendo que foi assim que o assalto aconteceu. Mas ainda é só um filme."

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