Filme discute quando amor se confunde com violência

Pensado inicialmente como um documentário, longa-metragem de João Jardim tomou como base 50 histórias de casais de diferentes perfis

Valéria França, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2011 | 00h00

Foi um ano de pesquisa para levantar 50 casos de relacionamentos amorosos contaminados pela violência. No começo, o diretor João Jardim, de Janela da Alma e Lixo Extraordinário, pretendia fazer mais um documentário. Depois, acabou optando por convidar atores e atrizes, como Lilia Cabral, Julia Lemmertz, Ângelo Antônio e Eduardo Moscovis, para encenar os depoimentos mais impactantes. Nascia aí Amor?, filme baseado em fatos reais.

"Eu queria investigar as razões subjetivas que levam as pessoas a confundir amor com violência", conta ele, que sempre se interessou pelo tema e nunca entendeu por que algumas pessoas acabam por anos vivendo em um clima de ameaças, brigas e agressões.

Com ajuda da pesquisadora Renée Castelo Branco, Jardim começou conversando com casais mais pobres. Depois, passou aos de classe média. Tentou evitar ao máximo um roteiro maniqueísta e, para isso, deu espaço tanto para vítimas quanto para agressores, por mais chocantes que fossem seus depoimentos. "O agressor sabe como oprimir. Ele mostra que gosta muito de você, mas também diz que você é uma m... e acaba com sua autoestima."

Segundo o diretor, os primeiros sinais da violência são tênues. "O casal não percebe, não codifica como ato de violência, mas sim como prova de amor", diz. "Muitas pessoas com quem conversei na pesquisa não se envolveriam em uma situação dessas. É tudo muito sutil. Quando a violência surge, as pessoas já estão apaixonadas. Pode acontecer com qualquer um."

Amor? foi exibido no Festival de Brasília do ano passado e deve estrear em abril.

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