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Filhos mais velhos

Será que a ordem do nascimento pode influenciar na personalidade, saúde, inteligência e até na sexualidade dos filhos? E ser o “preferido” da mãe ajuda ou atrapalha na vida emocional? Novos estudos publicados nas últimas semanas tentam jogar luz nessa área nebulosa do funcionamento das famílias.

Jairo Bouer, O Estado de S. Paulo

15 Novembro 2015 | 04h00

Cientistas das universidades alemãs de Leipzig e Mainz analisaram dados de mais de 20 mil pessoas nos EUA, Reino Unido e Alemanha, e chegaram à conclusão de que traços de personalidade como extroversão, simpatia, perfeccionismo e rebeldia não têm relação com o fato de o filho ser o irmão mais velho, o caçula ou o do “meio”. O resultado vai contra uma série de teorias psicológicas bem estabelecidas e contra a intuição de muita gente. Os dados foram divulgados pelo site da BBC Saúde.

A análise sugere, no entanto, que os irmãos mais velhos, muitas vezes, se consideram mais inteligentes, com maior poder de abstração e com vocabulário mais rico do que os mais novos. Se isso acontece, para os pesquisadores, a razão seria muito mais social (a importância que é dada aos filhos mais velhos em algumas famílias) do que biológica. Mas essa não foi uma tendência geral: em 4 de 10 famílias os mais novos eram os mais “espertos” de casa. 

Do ponto de vista da saúde, os mais novos levariam vantagem. Por serem expostos a vírus e bactérias mais cedo e desenvolverem melhor seu sistema imunológico, eles seriam mais saudáveis. A pesquisa também sugere outro dado curioso. Os irmãos mais novos teriam uma chance maior de serem homossexuais. Para muitos cientistas, a explicação poderia ser até biológica, com a mãe produzindo uma espécie de anticorpo contra algumas proteínas masculinas a cada nova gestação de um filho homem. Será?

De forma geral, sexualidade e inteligência são determinadas por múltiplos fatores. Tamanho e estrutura da família, afetos, condições sociais, idade dos pais e genética, entre inúmeros outros, podem influenciar na formação dessas características. Nesse sentido, a ordem do nascimento parece ser apenas mais um detalhe. 

Outro estudo, divulgado pelo site Medical News Today, da Universidade de Purdue, nos EUA, sugere que ser o filho preferido da mãe pode trazer mais problemas do que benefícios. 

Ao analisar 725 jovens que passaram por situações de abuso ou traumas na infância, os cientistas concluíram que aqueles que se consideravam os “queridinhos da mamãe” foram mais propensos a desenvolver sintomas depressivos no início da vida adulta. Para os pesquisadores, o peso de se sentir mais responsável pela mãe ou a rivalidade com os irmãos poderiam explicar essa maior tendência à depressão. 

Apesar dessas possíveis influências, tanto da ordem do nascimento como da preferência emocional dos pais em relação aos filhos, será que os adolescentes hoje são mais felizes ou infelizes do que gerações anteriores? 

Outro grande estudo, divulgado na última semana por pesquisadores das universidades americanas de San Diego, Califórnia, e da Flórida Atlantic, mostra que os jovens estão mais contentes. Foram avaliadas amostras representativas de 1,3 milhão de pessoas de 13 a 96 anos, de 1972 até 2014. O estudo mostra que 19% dos adolescentes se consideravam felizes nos anos 1970, número que alcançou 30% em 2010. 

Para os pesquisadores, isso pode ser explicado pela maior liberdade que os jovens têm hoje em dia, pelo uso mais frequente de tecnologia e pelos relacionamentos mais voláteis. Em contrapartida, para os adultos jovens, na faixa dos 30 anos, esse nível de felicidade caiu, o que poderia ser explicado, em parte, pela maior dificuldade em alcançar estabilidade nos relacionamentos afetivos. O que é muito bom na adolescência pode virar uma tremenda dor de cabeça quando a gente cresce, não?

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