Câmara Municipal de Santo Expedito
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Filho é preso por assassinato de pais políticos em Santo Expedito

Gustavo Cauneto teria dito que matou os pais durante surto, mas investigação aponta para uma possível disputa por herança. Defesa alega que ele confessou após ser agredido, mas polícia diz que ele reagiu à prisão e aguarda laudos

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2020 | 11h54
Atualizado 31 de janeiro de 2020 | 17h00

SOROCABA - Um filho do casal confessou ter assassinado os pais, o vereador Valfrido Cauneto (PP) e a mulher dele, Maria Vanda Bernardelli Cauneto, mortos a tiros, no último dia 23, em Santo Expedito, no oeste do Estado de São Paulo. Gustavo Bernardelli Cauneto, de 39 anos, foi preso na tarde desta quarta-feira, 29, após ter a prisão temporária decretada pela Justiça. Conforme a Polícia Civil, ele disse que matou os pais durante um surto psicótico, mas a investigação aponta para uma possível disputa por herança.

Valfrido, que já havia sido prefeito da cidade em dois períodos, estava em seu sexto mandato consecutivo como vereador. Maria Vanda foi candidata duas vezes ao Legislativo, mas não se elegeu.

O casal foi encontrado morto pelo filho mais velho na casa em que residia, um sítio voltado à produção de leite. O corpo do político foi atingido por dois disparos. A mulher recebeu três tiros. A porta dos fundos da casa estava aberta, e o assassino teve o cuidado de levar a central com as imagens das câmeras de vigilância da propriedade.

Conforme a Polícia Civil, o filho mais jovem dos Cauneto foi ouvido após o crime, negou envolvimento, mas passou a ser considerado suspeito. Com o surgimento de novas evidências, ele teria confessado.

Procurada, a defesa de Gustavo Bernardelli Cauneto afirma que a confissão dos crimes foi obtida mediante agressão policial. De acordo com a advogada Sílvia Duarte Oliveira Couto, um exame de corpo de delito realizado pela própria polícia confirma as agressões. “Ele confessou porque apanhou muito”, disse.

O laudo, emitido pelo médico legista no dia em que Gustavo foi preso, informa ter encontrado equimoses e escoriações principalmente no tórax e nas costas do suspeito. Ainda segundo a defensora, o suspeito foi interrogado pela polícia sem estar acompanhado de advogado. “Não havia nada que indicasse a participação dele nos crimes. A arma e munições que foram encontradas na região não pertencem ao Gustavo.” Nesta sexta-feira , 31, ela entraria com habeas corpus pedindo a soltura do suspeito.  

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou, em nota, que a Polícia Civil capturou o suspeito no último dia 28 em cumprimento a um mandado de prisão temporária. No momento da prisão, teria havido resistência. O homem foi levado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Presidente Prudente, que solicitou exame pericial no IML. “A equipe aguarda o resultado dos laudos, que estão em elaboração, para as providências cabíveis”, informou.

A arma, uma carabina calibre 38, com munição e silenciador, foi encontrada em uma represa, na chácara de um tio, envolta em um saco plástico. O material foi encaminhado para perícia. Gustavo foi levado para a cadeia pública de Presidente Venceslau. 

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