Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Coordenadora morta em Suzano gostaria que alunos seguissem 'no caminho do bem', diz filho

Marilena Umezu concluiu faculdade de Filosofia quando tinha quase 50 anos; ‘sonho dela era terminar de estudar’

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - O engenheiro Vinicius Umezu foi à Escola Estadual Professor Raul Brasil na manhã de terça-feira, 19, para dar apoio aos estudantes que participaram do primeiro dia de atividades abertas de acolhimento na instituição - alvo de ataques de dois atiradores na semana passada. Ele é um dos três filhos da coordenadora escolar Marilena Umezu, de 59 anos, uma das oito vítimas fatais do massacre.

“A nossa intenção foi dar um apoio, porque nós sentimos muito dó das crianças que estavam lá. Inclusive no velório da minha mãe, eu conversei com várias crianças tentando dar o maior apoio possível para que elas não desistam. Acho que, mostrando a nossa imagem, mostrando que nós, que perdemos a nossa mães, estamos lá junto com eles, poderia dar uma força maior. A nossa maior esperança - e com certeza era da minha mãe também - é que as crianças continuem no caminho do bem”, disse ao Estado.

Umezu e outros familiares devem participar da missa de sétimo dia da coordenadora na noite desta quarta-feira, 20. “O feedback está sendo totalmente positivo. Cada pessoa que a gente ganha um abraço faz um elogio diferente, conta de como era a minha mãe. Até o momento, a quantidade de manifestações de apoio, de toda parte, sempre elogiando, falando que a minha mãe era uma pessoa diferente. Então, a minha família fica muito com esse tipo de apoio. É um momento difícil, nós sabemos que é. Foi uma tragédia, foi, mas, na família - acho que até pela preparação que a minha mãe deu para nós -, é todo mundo forte para seguir lutando, não desistir. Porque eu acho que ela não ficaria feliz se, neste momento, nós desistíssimos de tudo.”

O engenheiro conta que a Raul Brasil foi a primeira escola em que Marilena trabalhou após ter se formado em Filosofia há menos de dez anos. “Ela tinha só até a 5ª série. Em 2005, ela resolveu fazer supletivo. Aí fez o ensino fundamental, o ensino médio e entrou na faculdade, em 2007, e se formou no final de 2009. Aí que começou a trabalhar, com quase 50 anos. Foi um evento para nós”, conta.

“O sonho dela era estudar. Eu acho que essa situação de virar professora e chegar na coordenação - e agora ela estava fazendo outra faculdade, de Pedagogia - foi uma consequência. Mas o sonho dela era de terminar os estudos. Só que para isso, antes de pensar nela, ela pensou nos três filhos. E ela conseguiu, ela venceu.”

Sobre o rapaz que teria participado do planejamento dos ataques, Umezu diz que espera que o jovem responda criminalmente. “Não deve ser tratado como criança. Acho que, com essa idade, já sabe muito bem o que está fazendo”, disse. “Em nenhum momento até agora, a gente teve raiva das pessoas que fizeram, raiva das famílias dessas pessoas. Mas o que eu particularmente penso é que criança ele não é. Então, acho que deveriam olhar de uma maneira diferente.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.