Filho de advogado carbonizado teria sido morto com gravata do pai

Jovem estava com as mãos amarradas e a boca amordaçada na sala da casa da família, em um sítio, e tinha marcas no pescoço que sugerem morte por asfixia

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

30 Maio 2014 | 19h13

SÃO PAULO - O filho do advogado encontrado carbonizado na manhã de quinta-feira, 28, na zona sul de São Paulo, teria sido asfixiado com uma gravata do pai na sua residência. De acordo com a polícia, o corpo de Igor dos Santos, de 16 anos, foi achado na casa da família, a um quilômetro da Estrada Engenheiro Marsilac - onde o corpo de Héldio Livingstone Nogueira, de 68 anos, foi retirado do porta-malas de um Fiat Marea incendiado.

O jovem estava com as mãos amarradas e a boca amordaçada na sala da casa da família, em um sítio. O rapaz tinha marcas no pescoço que sugerem morte por asfixia. A causa da morte é ainda estudada por peritos do Instituto Médico Legal (IML).

Segundo a polícia, o garoto pode ter sido assassinado ao tentar resistir aos criminosos. Seu pai foi levado da casa e encontrado carbonizado dentro do veículo, mas por causo do estado irreconhecível do corpo após as chamas, ainda não se sabe como ele foi morto. Uma perícia deverá confirmar a identidade do corpo.

A Polícia Militar encontrou o corpo do pai às 7h30 de quinta-feira, depois que o Corpo de Bombeiros apagou o incêndio do veículo, que estava encostado na beira da pista, em um local ermo. Com a placa do carro, a polícia foi ao endereço do advogado, onde estava o corpo do filho.

Vizinhos disseram à polícia que viram pai e filho chegarem em casa na quarta-feira, 27, por volta das 22h. Outro vizinho afirmou que notou que o veículo do advogado estava queimando às 6h de quinta-feira.

O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, investiga o crime. Segundo a polícia, uma outra advogada, Simone Gomes Christie, que tinha parceria com Nogueira, ficou desaparecida em março até seu corpo ser encontrado carbonizado dentro de um carro há cerca de dois meses. Ela era de Embu-Guaçú, na Grande São Paulo. A polícia agora apura se as mortes têm ligação

Inicialmente, o inquérito sobre a morte de Simone apontava para crime passional, com um namorado como suspeito. Agora, a polícia tenta estabelecer se os advogados tinham problemas com clientes ou o crime organizado. Segundo a polícia, em ambas as mortes, há sinais de que o autor do crime pretendia chamar a atenção para o assassinato. A morte de Simone passará a ser investigada também pelo DHPP.

Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Simone e Nogueira não eram sócios, mas colaboravam entre si. Nogueira atuava na área trabalhista e criminal e desde a morte da advogada passou a trabalhar em casa. Formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Livingstone era natural de Santarém, no Pará.

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional de São Paulo (OAB-SP), Arles Gonçalves Junior, disse que "são óbvios os sinais de execução". A entidade terá uma comissão para acompanhar o inquérito. O Ordem está apurando se os advogados tinham registro de infrações éticas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.