Filho confessa morte da mãe em Perdizes

Estudante de Direito disse que quis 'dar susto' em jogadora de vôlei e levou suspeito para casa; Justiça decretou sua prisão por 30 dias

MARCELO GODOY, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2012 | 03h02

Depois de mais de quatro horas de interrogatório e diante de seus tios, o estudante de Direito Kléber Galasso Gomes, de 22 anos, confessou ontem ter participado do assassinato de sua mãe, Magda Aparecida Gomes, de 53 anos. Ela, que trabalhou por 32 anos como executiva da Unilever, foi morta com 17 facadas em seu apartamento, localizado na Rua Apinajés, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Magda era jogadora de vôlei no Palmeiras, clube em que o filho também jogava basquete.

A polícia procura agora um suposto segundo envolvido no crime, conforme revelou o portal estadão.com.br às 15h53 de ontem. O homem foi visto pelo porteiro do prédio deixando o lugar sem mancha de sangue na roupa. O suspeito se despediu da testemunha, cerca de 35 minutos depois de ter chegado, dizendo que havia almoçado no apartamento da "magrinha", como Magda era conhecida. Foi esse depoimento que levantou as primeiras suspeitas da polícia contra o acusado.

De fato, o homem estava tranquilo. Não parecia estar em fuga e dobrou a esquina da Rua Piracuama sem pressa. Gomes foi chamado para depor no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O filho afirmava que havia sido dominado por dois ladrões nas proximidades do Viaduto Pacaembu, zona oeste. Dizia que os bandidos pegaram R$ 400 com ele e exigiram mais dinheiro. Teriam também obrigado o estudante a ir até o apartamento, onde recolheram mais R$ 600. E esfaquearam sua mãe porque ela tentou defendê-lo.

Policiais pediram que ele narrasse novamente a história. E o deixaram falar, para então começarem a desmontar sua versão. Eles disseram que nenhuma câmera havia filmado o roubo. Era um blefe. Gomes mudou sua versão e passou a dizer que havia sido dominado em uma loja de material de construção e que os bandidos queriam matar a sua mãe. Chorava, sempre que confrontado. De contradição em contradição, confessou.

Confissão. O estudante contou então que no dia do crime ele saiu de casa com seu Focus com o desejo de "se afundar", porque a mãe "pegava no seu pé". Passou no apartamento onde morava na Santa Cecília, até nove dias antes, depois foi até a Rua Barra Funda, onde primeiro um homem o abordou oferecendo drogas. Ele disse que não comprou.

Em seguida, outro homem teria se aproximado e perguntado o que o afligia. Gomes contou os problemas de relacionamento com a mãe, que era dominadora. O homem, que seria usuário de drogas, sugeriu que eles fossem até o apartamento para dar um susto em Magda. "Vamos bater um prego nela, para que te respeite", teria proposto.

Gomes relatou que concordou com a ideia. No apartamento, após a desconfiança de Magda em relação ao estranho, o homem teria apanhado uma faca e desferido um golpe no pescoço da mãe de Gomes. O filho, então, teria apanhado a arma e dado as demais facadas. Ao DHPP, ele afirmou não saber a identidade do homem que o ajudou. Disse que o conheceu naquele dia.

Para a polícia, a versão será investigada. "O que sabemos ao certo é que ele participou do crime", disse o delegado Maurício Guimarães Soares, diretor da Divisão de Homicídios do DHPP.

Contratação. A polícia vai averiguar se Gomes contratou ou não o homem, atraindo-o para sua casa para ter um álibi, a fim de culpar alguém. "Temos quase convicção de que foi Kleber quem desferiu todas as facadas", disse o delegado Luiz Fernando Lopes Teixeira. Ele foi indiciado por homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, fútil e sem permitir defesa).

O filho também tinha conhecimento de que a mãe havia feito um seguro com prêmio de R$ 50 mil. Em caso de morte de Magda, o apartamento seria quitado. A polícia ainda não sabe se houve motivação financeira no crime.

A ex-executiva da Unilever era dona de dois imóveis em São Paulo, um deles em Perdizes. Também é proprietária de carros e de uma empresa. Gomes era seu único herdeiro. Ela havia se separado do pai do estudante no fim do ano passado. A relação entre o acusado e seus pais não era boa. Em 2009, ele ficou desaparecido por quatro dias, e foi encontrado trabalhando como garçom em um bar na Vila Olímpia.

Seus tios foram ouvidos e contaram que desconfiavam de que o estudante usasse drogas.

O prédio onde os dois viviam tem sete andares, com dois apartamentos por andar. Os moradores são, na maioria, idosas. O rapaz namora uma estudante do quinto ano de Medicina.

À noite, a Justiça decretou a prisão temporária de Gomes por 30 dias. O pedido havia sido feito algumas horas antes à 5.ª Vara do Júri, com aval do MP.

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