Fila de hospital reúne irmãos separados há quase 60 anos

Depois de conhecer o reencontro, outras duas mulheres acreditam pertencer à família separada na infância

Jair Aceituno, Especial para o Estadão

09 de outubro de 2007 | 14h53

Depois do emocionante reencontro entre os irmãos Osvaldo Lustosa Brandão, de 58 anos, e Maria Lustosa Brandão, de 73 anos, no corredor de um hospital de Bauru, a família dos dois ainda pode aumentar. Duas moradoras de Campina do Monte Alegre, no sul do Estado, Edith Brandão e Nair Café de Souza, souberam da história sobre o encontro dos irmãos e acreditam também ser irmãs deles, entregues a famílias adotivas quando crianças.  Maria, que era mais velha na época da separação, não tem dúvida de que as duas são mesmo suas irmãs. E pretende promover um encontro de todos os irmãos, para que enfim a família volte a se unir. A emocionante história de reencontro começou quando Osvaldo estava esperando na fila do Hospital Estadual Laudo de Souza Lima, em Bauru, quando viu que o nome da paciente à sua frente era igual ao de sua mãe. Quando disse seu nome à mulher, ela respondeu: "você é meu irmão". Maria, de 73 anos, tem o mesmo nome da mãe, já morta, e durante quase seis décadas espera reencontrar os irmãos menores, doados a famílias adotivas, quando seu pai morreu. O diálogo e o desfecho emocionaram a ambos e aos demais pacientes e funcionários do hospital que assistiram ao encontro. Maria disse que estava com 14 anos quando o pai morreu e a mãe ficou com sete filhos menores, sem condições financeiras para criá-los. Aconselhada por amigos, entregou Osvaldo, com um ano de idade, e outras três irmãs, para famílias que pudessem assumi-las. Ficou só com os maiores, que na época tinham mais condições de ajudá-la. Segundo a mulher, alguns anos depois, a mãe procurou pela família a quem entregou o menino, mas não conseguiu nem vê-lo e, por desconhecimento, não recorreu à Justiça, morrendo anos atrás sem o reencontro. Osvaldo sempre viveu em Bauru e Maria mora em Agudos, distante 16 quilômetros, mas ele principalmente não sabia da existência dos irmãos.  Seu único vínculo com a família biológica estava nos nomes do pai e mãe, que permaneceram nos documentos. Osvaldo manteve-se solteiro. Maria casou-se e tem dois filhos moradores no Rio de Janeiro. Maria disse que vai levá-lo o mais rápido possível a São Paulo para encontrar-se com os outros irmãos mais velhos que, na infância, permaneceram com a mãe.

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