Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Fila de 3 meses obriga paulistano a viajar para conseguir tirar passaporte

Para driblar demora e não perder compromissos, saída tem sido agendar pedidos no interior e no litoral; PF culpa procura recorde

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2011 | 00h00

A demora para tirar passaporte em São Paulo já obriga o paulistano a viajar para conseguir o documento. Nos cinco postos de atendimento da Polícia Federal da capital, o tempo de espera é de no mínimo três meses - isso quando existe horário disponível. E, mesmo quem segue à risca a recomendação de providenciar o documento com antecedência, não tem garantia de vaga em nenhum dos postos. A saída para driblar a morosidade é pegar a estrada para cidades como Campinas, Piracicaba e São José dos Campos, no interior, ou São Sebastião, no litoral.

De repetidas panes no sistema a funcionários mal qualificados para a função, tudo já foi motivo para a emissão dos passaportes demorar. A justificativa para a atual lentidão é a "demanda recorde por passaportes na Região Metropolitana". Contando os postos em Santo André, Barueri e Guarulhos, foram 214 mil documentos emitidos no primeiro semestre deste ano, com pico de 42 mil só em junho. No ano passado inteiro, foram 557 mil - 38% a mais que em 2009.

Em nota assinada por Diogenes Perez de Souza, chefe do Núcleo de Passaportes da Delegacia de Imigração, a Polícia Federal de São Paulo afirma que "a disponibilidade de vagas é dinâmica, variando de um dia para o outro". "Existem vagas disponíveis na cidade de São Paulo, em datas diferentes, variando de posto para posto. E o prazo para agendamento pode ser maior ou menor, de acordo com a demanda e os atendimentos em cada posto de emissão de passageiros", afirma.

Com férias marcadas para o meio de outubro, a analista de mídias sociais Olívia Orlandine (na foto abaixo), de 28 anos, ficou preocupada quando viu que, na capital, não conseguiria a documentação a tempo. Começou a olhar em outras cidades e conseguiu marcar atendimento para o dia seguinte em Campinas, a 100 quilômetros da capital. "Não é nada demais, só um documento que deveria ser fácil de tirar e não é."

Olívia chegou a cogitar pedir um passaporte de emergência, mas até para isso a mão de obra é grande: seria preciso ir até a sede da PF, na Lapa, munida de documentos. E a urgência do pedido seria analisada na hora. A rigor, isso só é possível quando o "adiamento da viagem possa acarretar grave transtorno ao requerente", como em caso de doença ou motivo de trabalho, nunca para férias. O passaporte de emergência custa R$ 202,89 e sai em 24 horas, ante os R$ 156,07 do documento solicitado dentro do prazo normal - depois de agendado, leva cerca de uma semana para sair.

Transtornos. Assim como Olívia, o designer Leonardo Soares, de 23 anos, pegou a estrada até Campinas para conseguir o passaporte. "Na verdade, são duas viagens, porque você tem de entregar os documentos e depois ir buscar o passaporte. Aí tem o dinheiro da gasolina, do pedágio, do estacionamento. Tudo isso por um documento que eu tenho todo o direito de fazer em São Paulo, onde moro."

As férias na Europa do analista de gestão Ali Abdulhamid, de 25 anos, quase foram por água abaixo quando a casa dele foi invadida e o passaporte roubado menos de 30 dias antes da viagem. Telefonou para a PF para pedir o passaporte de emergência e ouviu um conselho. "É melhor reagendar as férias."

A agente de viagens que orientava a viagem de Ali deu a dica de procurar em outras cidades e, dias depois, ele estava no posto da PF em São José dos Campos, a 99 quilômetros da capital. "Eles só atendem em dias úteis, horário comercial. Isso quer dizer que, às vésperas de tirar férias, ainda tive de pedir na empresa dois dias de folga para resolver problema de passaporte em outra cidade."

Também com alta demanda, no Rio ainda é possível encontrar datas para julho. Em Brasília, só para setembro.

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