Fiéis da Universal vão ao Templo de Salomão até em traje de gala

Um dia após inauguração de igreja, trânsito já ruim do Brás se complica. Maior templo religioso do Brasil ficou o dia todo lotado

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2014 | 21h13

SÃO PAULO - Milhares de fiéis da Igreja Universal de todo o País foram nesta sexta-feira, 1º, ao Brás, na região central de São Paulo, para tentar conhecer, mesmo que só por fora, o Templo de Salomão. Era difícil até andar pelas calçadas da Avenida Celso Garcia. O trânsito já complicado da região ficou ainda pior com a fila de carros e de ônibus que se formou o dia todo na frente do templo - os motoristas reduziam a velocidade ou mesmo paravam no momento de passar na frente da igreja, e alguns chegaram a tentar fazer fotos com o celular, enquanto estavam ao volante.

O maior templo religioso do Brasil, quatro vezes o tamanho da Basílica de Aparecida, no interior paulista, ficou o dia todo lotado. Fiéis rezavam em volta do templo, tiravam fotos com a igreja ao fundo, choravam abraçados a fotos com o bispo Edir Macedo. Quem tinha convite para fazer a visitação interna chegava em traje de gala. Havia filas para atravessar as faixas de pedestres em quase todas as ruas do entorno. 

“Obra de Deus”. “Isso não é obra do homem, é obra direta de Deus. Ele fez tudo isso com as próprias mãos”, dizia Lurdes Castro de Almeida, peregrina de Vitória (ES). As caravanas que chegavam de todo o Brasil se concentravam no templo vizinho da Universal, com capacidade para 5 mil pessoas. Ali ficavam os grupos de fiéis que chegavam em ônibus de excursão, aguardando o momento de visitação do templo. 

O comércio também registrou um movimento bem acima do normal. Até as 16 horas ainda havia filas nos restaurantes com comida por quilo. “Se continuar assim vou ter de contratar pelo menos dois outros funcionários”, prevê Sérgio Alexandre Matos, de 31 anos, dono de uma lanchonete na Rua João Monteiro.

Até o dia 22, as visitas só poderão ser feitas a convite ou em “excursões” em ônibus fretados contratados pela igreja, ao valor de R$ 45 por pessoa. Mas, nesta sexta-feira, 1º, muitos fiéis chegaram ao Brás após dias de viagem em ônibus de condição visivelmente precária. “O que a gente não faz para ver a casa de Deus, né?”, justificava Nélia dos Santos Oliveira, de 56 anos, que veio de Pelotas, no Rio Grande do Sul. 

Para moradores vizinhos do templo, a obra traz mais benefícios do que prejuízos. “Nosso bairro vai ter o cartão-postal da cidade”, aposta Nélio Ribeiro, de 51 anos, morador no Brás desde 1989.

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