Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

''Fico muito contente. O número é positivo''

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2010 | 00h00

Os planos do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para a administração da cidade em 2011 incluem "relembrar" e fortalecer uma antiga bandeira - a Cidade Limpa - e "ampliar e espalhar" uma nova - a Operação Delegada (parceria com a Polícia Militar para o combate ao comércio irregular e aumento da segurança). Em entrevista exclusiva ao Estado na noite de ontem, Kassab também comentou os resultados da pesquisa Ibope, que apontou aprovação de 55% dos paulistanos à sua gestão. Ele classificou o índice como "muito positivo" e se disse "entusiasmado" com o resultado.

O índice de aprovação de 55% fica acima ou abaixo de suas expectativas?

A expectativa de qualquer pessoa na vida pública é fazer o seu melhor e, fazendo o melhor, ser reconhecido. Fico muito contente em saber que 55% da população aprova a gestão. O número é muito positivo.

Mas 37% dos entrevistados consideram sua gestão regular. Como melhorar esse índice?

Continuar trabalhando e corrigindo falhas. O importante é que, olhando para trás, a gente sabe que hoje as coisas estão melhores do que ontem. O balanço da nossa gestão é muito positivo.

Saúde e Educação, bandeiras de sua gestão, ainda são vistas como áreas problemáticas pela população. Isso o preocupa?

São quase 7 milhões de usuários do sistema público de saúde. Então, se você perguntar a qualquer cidadão qual é a sua maior preocupação, ele vai dizer que quer melhorias na Saúde. Agora, se você fizer a pergunta ao cidadão: "Melhorou (a Saúde)?" Pode ter certeza que mais de 90% vão dizer que melhorou muito. Está longe do ideal, mas melhorou muito.

Na Educação, o déficit de vagas em creches continua. Quando esse problema será, enfim, resolvido?

Tem fila em creche, mas nós dobramos o número de vagas. De 60 mil, passamos para aproximadamente 120 mil vagas. Os números estão na internet, tudo é feito com transparência. E vamos criar mais, com a parceria que vamos fazer com empresários e empreendedores mediante licitação. Com o terreno no Itaim-Bibi (zona sul) que a Prefeitura vai vender, vamos receber 200 creches.

O que sua gestão tem feito para ajudar o governo do Estado na questão da violência e das drogas, que aparecem na pesquisa como áreas problemáticas?

Não podemos fugir da responsabilidade. É um dever também da Prefeitura. Temos ações, como a Operação Delegada, muito bem sucedida, que reduziu os índices de criminalidade. Melhorou, mas precisamos melhorar ainda mais.

A Operação Delegada vai ser ampliada?

A ideia é espalhar a operação por toda a cidade. Estamos estudando levar a Operação Delegada para os arredores dos cemitérios, por exemplo. Mas ainda não há prazo.

Os cinco serviços mais mal avaliados na pesquisa são de zeladoria da cidade. É um ponto fraco?

Não. Eles foram bem avaliados. São pontos positivos, mas que devem ser aperfeiçoados. Por outro lado, os equipamentos bem avaliados, como o Centro de Cultura da Juventude Ruth Cardoso, merecem ser repetidos. Em Cidade Tiradentes (zona leste), estamos fazendo outro igual. E há planos de fazer em outros pontos da cidade.

Enchentes são outro ponto apontado como problemático. Há obras que ainda não saíram do papel, como os piscinões na Vila Pompeia e no Anhangabaú.

Desde 2005, fizemos aproximadamente 150 grandes obras no sistema de drenagem. Cerca de 120 foram concluídas, 20 estão em andamento e o resto em licitação. Há quase 100 ações desenvolvidas em áreas de risco. É evidente que se você perguntar para o cidadão se ainda tem muito o que solucionar, ela vai dizer que sim. Mas nessa questão também, se a pergunta for feita se a Prefeitura fez bastante ações, a resposta vai ser que sim, que fez muito. Não houve recurso para resolver todas, mas vamos continuar avançando.

54% dos paulistanos acham que a cidade está "no caminho certo". No próximo ano, qual será o caminho a seguir?

A continuidade das ações, o início de novas, como a PPP (Parceria Público-Privada) da Saúde, a construção do centro de eventos em Pirituba, que será um dos maiores do mundo.

A Lei Cidade Limpa vai ser flexibilizada?

Ao contrário. Vai aumentar o rigor com a fiscalização. Haverá forças-tarefas que vão atuar com as subprefeituras para fiscalizar a lei. O objetivo é lembrar à cidade que a Prefeitura não vai esmorecer. A Lei Cidade Limpa veio para ficar. As forças-tarefas serão ainda mais intensas. Ações em imóveis tombados a própria lei já previa, estava aguardando a regulamentação. Já a (permissão de) anúncios em cinzeiros e em portas de bares não será discutido, nem aprovado. Não será implantada na nossa gestão.

A dois anos do fim do seu mandato, a Prefeitura concluiu apenas 5 das 223 propostas do Plano de Metas da gestão. O senhor já considera rever essas metas?

A própria legislação prevê a atualização das metas. Mas o importante é que quase 100% já estão sendo executadas. A finalização, evidente, virá no final da gestão. Pode haver adequações, por conta de circunstâncias que naturalmente surgem, mas nosso objetivo é concluir todas.

Com a eleição de José Police Neto (PSDB), político da base aliada do governo, para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo, o Executivo terá mais facilidade na aprovação de projetos?

Seria uma injustiça fazer essa afirmação. Esta será uma administração parceira da cidade, com projetos sendo discutidos com independência no Legislativo.

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