Ficha de papel e informações perdidas são maiores queixas

Informações básicas, como endereço e sintomas, são pedidas todas as vezes em que cidadão vai a hospital

BÁRBARA FERREIRA SANTOS, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2013 | 02h02

Demora no atendimento por falta de registro do prontuário, filas longas para refazer o cadastro e até aplicação errada de medicamentos por erro no armazenamento do histórico são problemas comuns a quem procura os hospitais públicos da rede estadual de São Paulo e encontra um sistema de prontuário obsoleto e descentralizado.

Após sofrer o segundo acidente vascular-cerebral (AVC), o aposentado José da Silva, de 82 anos, que está internado no Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, passou uma semana sem tomar medicamento para controle da pressão, para impedir convulsões, além de não ter recebido as aplicações de "bombinha" para o pulmão porque seu prontuário não estava registrado no hospital.

A neta de Silva, Ingrid Poliana da Silva, de 27 anos, afirmou que, além de fazer tratamento contínuo na rede pública estadual, ele foi atendido no mesmo hospital quando sofreu o primeiro AVC.

"Quando ele chegou ao Cachoeirinha desta vez, perderam a ficha feita pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no socorro. Foi um transtorno. Depois, só começaram a dar os remédios nessa sexta-feira passada porque a minha mãe avisou os médicos", afirmou Poliana. "Toda vez que a minha família vem a esse hospital, tem de fazer a ficha novamente."

Já a atendente Adriana Maria de Lucena, de 28 anos, foi atendida há um mês no Hospital Vila Penteado, na Freguesia do Ó, zona norte, e desmaiou na fila de espera enquanto aguardava para realizar um cadastro que já havia sido feito poucos meses antes. Ela estava acompanhada pela filha e solicitou atendimento a uma enfermeira, mas teve o atendimento negado porque a profissional afirmou que estava ocupada e exigiu que a ficha fosse feita antes. "Eu estava morrendo de dor nas costas e demorou para a atendente fazer o meu cadastro. Só me atenderam porque eu desmaiei."

Anteontem, ela novamente se consultou em um hospital público estadual, desta vez no Vila Nova Cachoeirinha, e novamente teve de informar seus dados cadastrais para fazer o tratamento contra o quadro de pneumonia. "Acho que esse cartão do SUS não vale para nada, porque eles perguntam o endereço e o telefone de novo. O mais importante, que é quais doenças já tive, eles não registram."

A auxiliar de limpeza Silvana Silveira de Lima, de 46 anos, levou a filha mais nova, Beatriz Lima da Conceição, de 13, ao Conjunto Hospitalar do Mandaqui, na zona norte, anteontem. No mesmo local, há 12 anos, a filha mais velha morreu após uma convulsão. Silvana afirmou que percorreu diversos hospitais estaduais para tratar as constantes convulsões da filha. "Na terceira e última crise, os médicos não sabiam sequer da primeira, que ocorreu meses antes. Ninguém descobriu o que era. Quando ela morreu, ficou por isso mesmo", conta.

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