Fiança de acidente que matou grávida é de R$ 20 mil

Motorista acusado de estar bêbado ao se envolver em batida que ainda matou bebê no dia 1º responderá ao processo em liberdade

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h02

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o pagamento de fiança de R$ 20 mil para que o representante comercial Carlos Alberto Aparecido de Souza Dias Fiore, de 29 anos, acusado de estar bêbado quando se envolveu no acidente que matou a comerciante Lilian Maria dos Santos e o bebê dela, responda ao processo em liberdade.

O acidente aconteceu na madrugada de 1.º de janeiro, no cruzamento das Avenidas Professor Abraão de Morais e Bosque da Saúde, na zona sul. Lilian estava grávida de 7 meses e seguia em um Fiat Idea com o marido, a filha de 8 anos e uma sobrinha. Médicos do Hospital São Paulo ainda conseguiram realizar o parto, mas o bebê morreu.

O juiz Alexandre Carneiro da Cunha Filho, da 14.ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, considerou em sua decisão os depoimentos de duas testemunhas. Elas disseram que o carro da vítima passou no semáforo fechado. "Segundo os dados até então disponíveis, verifica-se que a prova produzida aponta para, pelo menos em parte, culpa do condutor do veículo Fiat Idea com relação ao trágico evento", disse, na sentença.

O juiz considerou as informações colhidas pela polícia de que Fiore "havia consumido álcool e cocaína antes de pegar o veículo", segundo disse, mas afirmou que, apesar de a conduta ser "extremamente reprovável", não se sabe "o quão determinante tal dado foi para o evento".

A Polícia Civil, no entanto, ainda não está convicta sobre qual carro cruzou o semáforo fechado. Ontem, o delegado que cuida do caso, Airton Sante Amore, do 16.º Distrito Policial (Vila Clementino), interrogou o marido de Lilian, Landerson Correa Rodrigues, de 37 anos. Segundo o delegado, Rodrigues disse ter cruzado o semáforo verde.

A reportagem não conseguiu contato ontem com o advogado do acusado nem com os amigos de Fiori que também estavam no carro.

Recurso. O Ministério Público Estadual, que havia se manifestado contra o pedido de liberdade provisória feito pelo advogado de Fiori, recorreu ontem mesmo da decisão do Tribunal de Justiça. Mas, como o Código de Processo Penal prevê que o recurso não tem efeito suspensivo, entrou também com um mandado de segurança com pedido de liminar para manter Fiore preso.

A promotora Fernanda Narezi Pimentel Rosa, autora do recurso e do mandado de segurança, manifestou-se com um relatório distribuído pelo Ministério Público Estadual à imprensa.

O texto tem dois argumentos principais para sustentar o pedido de manutenção da prisão do representante comercial. Primeiro, ela diz que já eram de conhecimento da polícia e da Justiça os depoimentos contraditórios sobre quem cruzou o semáforo fechado. Portanto, não há, para ela, nenhuma novidade no caso entre o decreto de prisão preventiva contra Fiore e a concessão da liberdade provisória. Em segundo lugar, diz que isso, para ela, não muda "o elevado grau de periculosidade do agente (Fiore), bem como a extrema gravidade das consequências do delito".

Fiore já foi investigado por suspeita de dirigir alcoolizado. "A ordem pública corre risco, uma vez que, em liberdade, poderá o investigado vir a praticar outros crimes", diz a promotora.

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