Festas excêntricas têm até garçonetes e músicos voadores

Máquina de içar com tecnologia de cinema agora é usada em eventos de luxo para conferir um clima ainda mais vip à comemoração

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2012 | 03h04

A bailarina Marian Castilho, de 31 anos, brilhou no Cirque du Soleil e agora se destaca, também a trabalho, como garçonete voadora em São Paulo. Com uma garrafa de champanhe na mão, atravessa salões de festas luxuosas pendurada em cabos de aço que deslizam por roldanas. Os convidados levantam os copos, e ela, muitas vezes de cabeça para baixo, enche as taças.

Mais do que servir do bom e do melhor aos convidados, uma festa vip hoje precisa ser espetaculosa. O elemento-surpresa exerce papel importante agora para aumentar o grau de animação dos participantes, e a moda são as festas aéreas.

Integrante da Cia. Base, uma empresa com atores especializados em shows desse tipo, Marian já entrou em salão, por exemplo, só para acender o bolo da aniversariante, aumentando a importância do momento. No fim do ano passado, ela se apresentou com seu grupo de bailarinos e músicos na festa de debutante de Carolina Moraes, neta do empresário Antônio Ermírio de Moraes. Acendeu a vela do alto.

"Quando eu entro as pessoas vibram, gritam, tentam até puxar o meu pé", diz. Há convidado que nem espera Marian inclinar a garrafa e já sobe nas costas de um dos amigos para alcançá-la nas alturas.

A garçonete que voa é apenas uma das atrações. Há ainda músicos, fotógrafos e cinegrafistas que trabalham lá no alto. "A moda pegou desde que chegou ao Brasil uma máquina americana usada em filmes como Matrix", conta Romy Godoy, assessora de celebrações especiais. "Os cabos ficam quase invisíveis, e os artistas parecem que estão voando mesmo", diz.

A foto de Marian que ilustra esta página foi feita durante um ensaio da companhia, que trabalha em parceria com o músico Paulo Campos, de 32 anos, que trouxe a máquina para o País. Nos eventos, no lugar das correntes são colocados cabos pretos, que praticamente passam despercebidos. "Além de içar, o equipamento permite o deslocamento aéreo para qualquer canto do salão", diz Campos.

A tecnologia mudou as apresentações da equipe. Ela costuma entrar voando no salão com equipamentos de percussão. Às vezes, só entra o violinista Leonardo Padovani, de 31 anos. "Não dá para ficar lá em cima por muito tempo", conta. "Para tocar violino o apoio dos pés é muito importante. Exige muita força muscular das costas cruzar o salão com uma boa postura, tocando sem errar a música e, claro, sem se desequilibrar." O violinista e o saxofonista entram içados sempre por um colete.

A hora do buquê. "Nos casamentos, agora tem noiva que pede para subir no equipamento para jogar o buquê", diz Romy. Mas, antes da data, elas passam por um treino. "O vestido é muito grande, o que atrapalha um pouco", diz Campos. "A noiva sobe em uma espécie de cadeirinha, e ensinamos alguns truques para que ela faça desse momento uma apresentação especial."

As mais audaciosas fazem até um giro, como se fosse uma pirueta no ar, antes de jogar o buquê de flores, de sapinhos, ou de santinhos de Santo Antônio para dar um empurrãozinho na vida amorosa das amigas. O próximo desafio de Campos é içar na máquina uma carruagem para a entrada triunfal de uma debutante no salão.

Não são apenas em celebrações familiares que essa nova onda pegou. Em grandes eventos, como comemorações de clubes e empresas, os artistas voadores também começam a aparecer.

"Quando as atrações surgem voando, os convidados se encantam", diz José Jorge Silvério, de 63 anos, diretor do Clube Alto dos Pinheiros, que contratou o show na festa de réveillon. "Antes, a moda era a banda. Depois veio a onda da mistura de percussão com instrumentos clássicos. Só que, se você não traz alguma coisa nova, as festas começam a ficar sem graça."

Uma voltinha. "Às vezes todo mundo da festa quer dar uma voltinha no equipamento", diz Campos. Isso não acontece, porque para subir o candidato tem de passar por um treinamento básico. "Não podemos arriscar que alguém despenque de lá de cima." As apresentações são personalizadas de acordo com a festa e o cliente. O pacote básico, que inclui a garçonete voadora e o músico, sai por volta de R$ 8 mil. Vale lembrar que as apresentações são curtas - de, no máximo, 15 minutos.

É necessário também um espaço com pé-direito alto para que a máquina seja montada. Os shows acontecem a 3 metros de altura.

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