Clara Tadayozzi/Unesp/Divulgação
Clara Tadayozzi/Unesp/Divulgação

Festa em Bauru termina em confronto entre estudantes e PMs

Segundo alunos da Unesp que participavam de churrasco, 6 pessoas ficaram feridas; para a polícia, foram 3, incluindo 1 policial

Flávia Nosralla e Victor Rezende, Especiais para o Estado

17 Maio 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Na noite de domingo, 15, em Bauru, interior de São Paulo, um churrasco em uma república universitária acabou em confusão entre estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e policiais militares. Quatro alunos foram levados algemados para a Central de Polícia Judiciária da cidade. Segundo eles, seis ficaram feridos. Para a Polícia Militar, dois universitários e um policial foram feridos.

Após uma denúncia de perturbação por causa do som alto na república, uma viatura da PM chegou ao local, por volta das 22 horas. Houve bate-boca entre um dos moradores da casa, estudante de jornalismo, e um policial militar, que teria dado voz de prisão ao rapaz por desacato e chamado reforços. No total, 11 viaturas e a Força Tática atenderam a ocorrência. Os estudantes afirmaram haver cerca de 30 pessoas no local; para a PM, eram 50.

Durante a confusão, os policiais invadiram a casa e houve confronto com outros estudantes que estavam no local. O primeiro morador abordado pelos policiais, que preferiu não se identificar, foi levado algemado para o hospital. Ele terá de fazer uma cirurgia de reconstrução do cílio superior e, segundo os médicos, por pouco não perdeu a visão.

Ainda de acordo com os estudantes, duas pessoas levaram tiros de borracha à queima roupa e outras quatro foram agredidas com socos e cacetetes. Um dos rapazes teve o nariz quebrado e outro levou seis pontos na perna. Segundo a PM, um jovem ficou ferido com um disparo de bala de borracha e o outro ficou ferido no rosto quando estava sendo algemado. Um policial também foi ferido no braço e na mão e passará por exame de corpo de delito.

Os estudantes registraram boletim de ocorrência e passaram pelo Instituto Médico-Legal (IML) para exame de corpo de delito. Para o vice-coordenador do Departamento de Comunicação Social da Unesp, Angelo Sottovia, “a agressão e a invasão da república são situações inadmissíveis”.

Apuração. Em nota nesta terça-feira, 17, a Secretaria da Segurança Pública informou que os policiais que atenderam a ocorrência foram ofendidos e agredidos por algumas das pessoas presentes no local. "Por isso, foi necessária a intervenção policial, com reforço de viaturas. Durante a ação, um homem tentou retirar de um PM uma arma carregada elastômero, que realizou o disparo para evitar a ação", declarou a pasta. 

Um inquérito policial-militar foi instaurado para apurar o caso. "Qualquer irregularidade na conduta dos policiais será devidamente punida", acrescentou a secretaria. 

A Polícia Civil informou que foi registrado um Termo Circunstanciado que apura abuso de autoridade, lesão corporal, perturbação de sossego e desacato. A investigação está em andamento e foi requisitado exame de corpo de delito de todos os envolvidos.

 

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