Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Festa de rua abre novo Belas Artes

Cerca de 2 mil pessoas compareceram à reabertura do cinema na tarde de ontem

Flavia Guerra , O Estado de S. Paulo

20 Julho 2014 | 02h01

O trânsito no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação estava particularmente pesado na tarde de ontem. A festa de reabertura do Cine Caixa Belas Artes levou ao local cerca de 2 mil pessoas. Além de formar uma fila quilométrica desde as 13 horas, o público lotou duas pistas, que foram interditadas pela CET em frente ao cinema para que o público assistisse ao show da banda Mustache e os Apaches e participasse da reinauguração do espaço, fechado desde 2011.

A banda começou sua apresentação por volta das 15h30 e parou às 16h em ponto. Foi a vez então de o prefeito Fernando Haddad, o secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, o diretor e proprietário do Belas Artes, André Sturm, e Beto Gonçalves, do Movimento Belas Artes, cortarem a faixa inaugural e abrirem oficialmente as portas do novo Cine Caixa Belas Artes.

"Este é um momento que celebra a reabertura deste cinema, que cumpriu papel importante na vida cultural da cidade. O Movimento Belas Artes foi o primeiro grupo cultural que recebi quando assumi. E é ao MBA que quero agradecer", declarou Ferreira. "É importante também agradecer à Caixa (Econômica Federal) e ao prefeito, que assumiu o compromisso de revitalizar este patrimônio afetivo da cidade. Só queria lembrar que há 12 teatros ameaçados de fechar na cidade e, portanto, a opinião pública tem papel crucial para garantir a cidadania e a cultura de São Paulo", afirmou.

Em seguida, Gonçalves declarou que em agosto será constituído o Conselho de Amigos do Belas Artes. "Esta é uma das maiores vitórias que a cidadania já teve. A gente lutou contra a especulação imobiliária, que está destruindo a cidade. A luta pelo Belas Artes mostra que o cinema de rua é fundamental para uma cidade sustentável, mais humana."

Haddad destacou que há outros desafios pela frente. "Há muita coisa para ser aberta em São Paulo. Fica aqui meu apelo às empresas públicas e privadas para que possamos fazer novas parcerias para reabrir outros cinemas. Eu tive a felicidade de morar aqui perto e frequentei o Belas Artes, que é um antídoto contra a ignorância. O mundo está cheio de ignorância e violência, e isso aqui vai ajudar a combatê-las."

Após o corte da fita, as pessoas começaram a entrar no cinema e comprar ingressos para a primeira sessão de Aos Ventos que Virão, o primeiro filme a ser exibido. O filme, dirigido por Hermano Penna, é o primeiro brasileiro a ser exibido nesta nova fase do complexo. "Estou muito feliz. É simbólico poder exibir meu novo filme nesta reabertura. Logo eu, que em 1983 também exibi meu filme, Sargento Getúlio, quando o Belas Artes reabriu após ter sofrido um incêndio. Eu reinaugurei duas vezes este cinema", disse Penna, que apresentou seu filme na sala 2 e dedicou a sessão ao escritor João Ubaldo Ribeiro, morto anteontem. 

Aval. Apesar das horas na fila, o público que lotou o cinema aprovou as novas instalações. As amigas Maria Monteiro Mendes e Fátima Costa Dias, as primeiras da fila para assistir ao argentino O Estudante, lamentaram o fato de o espaço ter ficado fechado por três anos. "Foi uma grande perda para a cidade. A especulação imobiliária faz isso. Mas é incrível que conseguimos. Somos frequentadoras antigas e estamos adorando ver tantos jovens por aqui hoje", comentou Fátima. 

A aposentada Antônia Hermínia Salles, de 80 anos, frequenta o Belas Artes desde os 50 e também aprovou o novo cinema. "Vinha aqui quando ainda namorava o meu marido. Casei em 1952. Imagine o tanto de história da minha vida que este lugar representa", disse. "É muito bonito ver a cidade sendo apreciada pelos jovens de hoje. Sinto muita falta dos cinemas de rua de São Paulo. Hoje em dia tudo fica nos shoppings."
 

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