Evelson de Freitas/ Estadão
Evelson de Freitas/ Estadão

Festa com luta ganha público na cidade

Na esteira do sucesso do MMA, Balada Fight e outros eventos se espalham por SP

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2012 | 02h02

Salto alto, vestidos curtíssimos superjustos, maquiagem carregada. Apesar de a produção indicar festa ou balada, é só se aproximar um pouco para notar que não se trata de festa tradicional. No salão do Clube Homs, um dos mais tradicionais da cidade, na Avenida Paulista, dois profissionais em um ringue de luta de dimensões oficiais fazem o público vibrar a cada soco ou pontapé.

Com a explosão do MMA (Mixed Martial Arts, ou artes marciais mistas), baladas com os mais variados tipos de luta se espalharam pela cidade. Boa parte do público é formada por alunos de artes marciais ou tem ligação com quem está lutando.

Luciano Rezende, de 35 anos, e Péricles Aquiles, de 26, só fazem musculação, mas participaram da Balada Fight, promovida no fim de setembro pela academia Oficina, especializada em lutas. "O público é diferente - não tem costume de beber, é geração saúde, treina. Aqui também tem maior concentração de mulheres saradas", disse Rezende.

Fã dos embates, a estudante Ana Paula Queiroz, de 26 anos, trabalha na Federação Paulista de Lutas e costuma frequentar lutas em ginásios e clubes. Ela e a amiga jornalista Tatiana Barros, de 27, estavam no camarote da Balada Fight. O ingresso, com direito a bebidas e sanduíches, é de R$ 100. O ingresso mais barato custava R$ 45, sem consumação. "Vale a pena, é como um show", contou Tatiana.

A diferença do público, diz Ana Paula, está na quantidade de "Maria Tatame" - espécie de Maria Chuteira, só que dos ringues. "Aqui tem muitas. Elas vêm para se mostrar aos lutadores."

Ex-praticante de boxe, a modelo Mayra Monteiro, de 29 anos, tem amigos no mundo da luta e já namorou boxeador. "É uma coisa que eu gosto, a gente se dava superbem. Quero casar com lutador." Ela pagou com convicção o ingresso do camarote. "É caro, mas vale a pena pela visão privilegiada da luta e para curtir a balada com tranquilidade."

O técnico de PABX Cláudio Luiz Antunes, de 27 anos, foi à festa ver a luta do professor Peter Venâncio, campeão sul-americano de boxe e aposentado desde 2008, que lutou durante o evento. "Muitos dos meus alunos nunca tinham me visto lutar. Além disso, tenho dois filhos pequenos e gostaria que eles assistissem também."

UFC. Com muita música eletrônica, a ordem da festa era a seguinte: das 23h até 1h, sequência de lutas seguida por pausa para ver no telão a luta no Ultimate Fighting Championship (UFC) do brasileiro Vitor Belfort e do americano Jon Jones. Belfort perdeu e a balada começou, meio acanhada. A maioria do público mal se mexia e a pista de dança se animava aos poucos. Às 3 horas, recomeçaram as lutas e, em seguida, a balada, que foi até 5 horas.

Outro evento com o mesmo conceito, o Diamond Fight, organizado pelo Diamond Clube, em Santos, no litoral, foi promovido no dia da luta de Anderson Silva e Chael Sonnem, em julho. A diferença entre os dois eventos é que não havia momento específico para balada. O volume da música subia entre os confrontos.

A Oficina ainda promove as chamadas Music and Fight - festas na academia que são preparação para a Balada Fight prevista para abril. A última foi no sábado, dia 10 de novembro.

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