Ferreira elogia Rota e Grella fala de direitos

Novo e ex-secretários apresentam visões distintas sobre segurança durante discursos no Palácio dos Bandeirantes

Bruno Paes Manso, Marcelo Godoy e William Cardoso - O Estado de S.Paulo,

23 Novembro 2012 | 02h11

A transmissão do cargo de secretário da Segurança Pública em São Paulo, ocorrida ontem no Palácio dos Bandeirantes, revelou visões de mundo distintas nos discursos de quem chegava e de quem deixava o cargo.

Em sua última fala como titular, Antonio Ferreira Pinto destacou a importância estratégica das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), unidade criticada por entidades de direitos humanos pela forma truculenta como age. Já o novo secretário, Fernando Grella Vieira, preferiu afirmar que o "combate firme" contra o crime não pode excluir o respeito aos direitos humanos. Ele convocou a sociedade civil paulista a participar das novas diretrizes da segurança em São Paulo.

Uma das principais medidas de Ferreira ao assumir a secretaria em 2009 foi o deslocamento da Rota para atuar em parceria com o Ministério Público Estadual no compartilhamento das informações de inteligência sobre o crime organizado. Mortes de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante essas ações dos PMs foram apontadas como o estopim dos ataques de criminosos a policiais neste ano.

Na despedida, Ferreira disse que o emprego da Rota no combate ao PCC não tirou os policiais civis da investigação. "A Rota não atuou nas investigações da ponta, não tirou as atribuições de ninguém. A atuação da Rota executando a parte final da investigação sempre terminou na Polícia Civil: no Denarc (Departamento de Narcóticos), no Deic (Departamento de Investigações contra o Crime Organizado) ou nas delegacias do interior. Nunca polícia nenhuma foi retirada das investigações do crime organizado."

Grella preferiu destacar a importância do planejamento, da inteligência e do trabalho conjunto entre União, Estado e municípios para combater o crime organizado. "O crime organizado não respeita fronteiras, ataca pelas costas de forma covarde, é insidioso e corrosivo. A única forma de combate é com planejamento, inteligência", disse Grella. O novo secretário da Segurança afirmou também que já passou sua primeira noite sem dormir. "Tenho noção do peso da responsabilidade e não queremos decepcionar."

Fernando Grella Vieira - Novo Secretário

"É preciso desfazer a noção equivocada de que o combate firme ao crime e o respeito aos direitos humanos são excludentes. Não são. Não se pode tolerar a omissão do Estado. Mas não se pode aceitar sob qualquer fundamento a violação dos direitos fundamentais e das liberdades públicas. A boa ação é a que combina o irrestrito respeito aos direitos humanos e a ação efetiva do Estado."

 

 

Antonio Ferreira Pinto - Ex-Secretário

"Condenados capturados foram 1.327. Desde minha assunção, apreendemos 51 fuzis, 40 metralhadoras e 69 armas de cano longo. A Rota apreendeu 6.953 quilos de maconha, 1.318 quilos de cocaína e 209 quilos de crack e teve nesse período 18 PMs feridos. Esses são os dados que mostram que a Rota cumpriu seu papel com muita galhardia e é uma falsa verdade dizer que a Polícia Civil foi afastada das investigações finais."

 

 

Geraldo Alckmin - Governador

Na transmissão do cargo de secretário de Segurança, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assumiu a gravidade da situação em São Paulo. "É muito grave quando policiais são atacados covardemente, às vezes sem farda, na frente dos filhos, pois se trata de um ataque ao próprio Estado, uma tentativa de intimidá-lo, de acovardá-lo, mas o Estado não se acovarda, não se intimida. Venceremos, pois temos legitimidade para agir."

 

Mais conteúdo sobre:
segurança secretário SP violência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.