Ferramenta projeta capacidade em 4 cenários diferentes

Cálculos foram desenvolvidos pelo ‘Estadão Dados’ a partir de registros oficiais da série histórica de vazões

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2015 | 00h37

SÃO PAULO - A água do Sistema Cantareira vai acabar? Quando? Antes restrita aos técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a especialistas em recursos hídricos, a resposta para essas perguntas está agora ao alcance de todos por meio do portal estadao.com.br.

No mês em que a crise do maior manancial paulista completa um ano, o Estado traz uma cronologia completa com as principais reportagens sobre a seca e suas consequências no abastecimento de água da Grande São Paulo e de parte do interior, e lança uma ferramenta inédita que permite simular quantos litros de água restarão armazenados no Cantareira nos próximos meses.

O simulador permite projetar a capacidade do sistema em quatro diferentes cenários, sendo que um deles reproduz o nível dos reservatórios a partir da média de chuva atual. Os cálculos foram desenvolvidos pela equipe do Estadão Dados a partir de registros oficiais da série histórica de vazões do manancial desde 1930, colocados à disposição pela Agência Nacional de Águas (ANA).

Os dados do órgão federal consideram os registros diários de vazões afluentes e defluentes, quantidade de água que entra e que sai do chamado Sistema Equivalente do Cantareira, formado pelas quatro principais represas do manancial: Jaguari-Jacareí, em Joanópolis; Cachoeira, em Piracaia; e Atibainha, em Nazaré Paulista. Elas ficam na Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e respondem por 97,8% da capacidade total do sistema.

São das represas Jaguari-Jacareí e Atibainha que a Sabesp está retirando água do volume morto para manter o abastecimento da Grande São Paulo. Os dados da ANA utilizados pelo Estado só não incluem os registros de entrada e saída de água da Represa Paiva Castro, que fica na Bacia do Alto Tietê, entre Mairiporã e Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Ela tem apenas 2,2% da capacidade total do manancial. 

O Cantareira foi construído em duas etapas entre os anos de 1967 e 1982. Ao todo, são seis reservatórios interligados por túneis e canais que permitem que a água percorra cerca de 100 quilômetros, atravessando a Serra da Cantareira, até a estação de tratamento Guaraú, na zona norte da capital paulista. 

O sistema entrou em operação em agosto de 1974, com capacidade para produzir 11 mil litros por segundo. Hoje, ele fornece até 36 mil litros por segundo para a Grande São Paulo (31 mil l/s) e para as regiões de Campinas e Piracicaba (5 mil l/s), abastecendo até 14 milhões de pessoas antes do início da crise, há um ano.

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