Férias começam com voo perdido e frustração

Turistas que iam para Cumbica ficaram presos no bloqueio da Castelo

José Maria Tomazela / Sorocaba, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2013 | 02h02

Com passagens compradas desde janeiro, o controlador de câmera Didimo Jorge da Silva, de 58 anos, sua mulher, Simone, de 41, e a filha Drielle, de 9, deveriam embarcar para o Recife às 18h30 de ontem no Aeroporto de Cumbica. Às 13 horas, ainda na rodoviária de Sorocaba, foram obrigados a adiar a viagem de férias.

Com a Castelo Branco bloqueada pelos caminhoneiros, os ônibus da Viação Cometa que vão direto para Guarulhos não estavam saindo. "Pela primeira vez em três anos e meio tirei férias de 30 dias para ver a família em Pernambuco, agora acontece isso", protestava Didimo.

A filha viajaria de avião pela primeira vez. "Ainda espero que a gente consiga embarcar, pois me despedi das minhas amigas."

A mãe, Simone, reclamou: "As pessoas têm o direito de protestar, mas não podem prejudicar quem não tem nada a ver com os problemas".

Segundo o gerente operacional da rodoviária, Osório Vieira, pelo menos 50% dos ônibus que partem de Sorocaba tinham deixado de viajar em razão dos bloqueios. A Cometa, principal operadora no terminal, havia deixado de liberar pelo menos 20 ônibus até o meio-dia. Cerca de 800 passageiros deixaram de viajar. Houve protestos isolados.

O mecânico de manutenção José Gomes, de 52 anos, embarcaria em um voo às 15h15 para Fortaleza e também perdeu o avião. Ele tomaria a condução para o aeroporto às 8h30 na rodoviária de Sorocaba, mas o ônibus não saiu. Gomes, no entanto, apoiou o protesto dos caminhoneiros. "Estava na hora de o povo reclamar. A viagem a gente remarca."

O serralheiro Francisco Fernandes, de 54 anos, que visitaria o pai em Iracema, também no Ceará, tentava adiar o embarque para as 9h de hoje, único voo disponível. "Meu pai tem 77 anos e só o vejo uma vez por ano. Se não for agora, só no ano que vem."

De carro. Moradores de Sorocaba que trabalham na capital levaram pelo menos quatro horas para chegar de carro - sem trânsito, o trajeto seria de pouco mais de 1h30. "Os caminhoneiros estão deixando uma pista livre, mas está tudo afunilado", disse o engenheiro Rogério Damatto.

Ele saiu de Sorocaba às 6h50 e só às 9h30 conseguiu passar pelo bloqueio. "Consegui fazer um desvio." Mesmo assim, ele chegou às 10h ao trabalho, com atraso de duas horas.

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