Feriado atrasa investigação, diz família

Segundo parentes da jovem morta, policiais disseram que nada poderia ser feito até esta quinta-feira, 21

Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2013 | 02h05

A família da jovem atropelada e morta na Ponte do Piqueri, na madrugada dessa quarta-feira, 20, acusa a polícia de negligência. Segundo os parentes, por causa do feriado do Dia da Consciência Negra, a investigação atrasou e a polícia não conseguiu prender em flagrante o motorista nessa quarta. O empreiteiro Vagner Ferreira, de 28 anos, fugiu a pé sem prestar socorro.

O atropelamento foi atendido pela PM por volta da meia-noite, mas a ocorrência só foi encaminhada ao 91.º DP (Ceagesp) às 6 horas. Lá, os familiares de Jéssica Bueno Rodrigues da Silva, de 22 anos, foram avisados de que nada poderia ser feito até hoje, pois era feriado e o 7.º DP (Lapa), responsável pelo caso, não poderia abrir uma investigação. "Não tem o que fazer, só na quinta-feira (hoje)", teria dito um policial a eles, segundo a prima da vítima, Rose dos Santos. "Os policiais não queriam dizer nem quem era o dono do automóvel."

A reportagem esteve no 91.º DP na manhã dessa quarta. Os policiais não queriam mostrar o boletim de ocorrência, sob a alegação de que havia dados pessoais do condutor. Eles disseram que a delegacia operava em esquema de plantão como central de flagrantes e o caso só seria investigado a partir desta quinta-feira, 21.

O delegado titular do 7.º DP, Marcel Druziani, nega que houve negligência. O caso teria chegado a suas mãos às 8h, quando ele e cinco policiais começaram as buscas. A reportagem só encontrou um escrevente no 7.º DP ontem. Segundo o delegado, a equipe estava em diligências. "Se não saísse uma folha disso na imprensa, o inquérito sairia da mesma forma", disse.

Suspeito. A polícia identificou o condutor porque o Fiat Stilo estava em seu nome, com a licença dentro do veículo. Agentes fizeram buscas em sua casa, mas o homem não foi localizado. Um irmão dele, que estava no local, disse aos policiais que ele deverá se apresentar em breve com seu advogado. A mãe revelou ao policial que não entendia por que o filho estava transtornado, pegou umas roupas e partiu sem dizer nada. Vizinhos confirmaram que o veículo era mesmo usado por Ferreira.

Natural de Salvador, ele mora com a família na Brasilândia, zona norte. Ele faz colocação de pisos em uma microempresa junto com o pai e o irmão.

Ferreira não tem antecedentes criminais. "É uma pessoa de boa índole, segundo apuramos. Não cometeu nenhum crime anteriormente", disse o delegado.

A fuga pode evitar que o suspeito seja preso em flagrante. O delegado entende que ele pode ser detido mesmo várias horas depois do crime, pois há uma busca policial. Mas, 24 horas depois, seria mais difícil justificar a prisão. "Eu ainda não sei se vou pedir a preventiva", disse o delegado. "Vamos ver por que ele fugiu. Ele pode ter dito que fugiu porque tinha 12 pessoas no local, por exemplo."

A polícia ainda deverá apurar se Ferreira agiu de forma proposital quando atropelou a vítima - a suspeita é que estivesse em um racha com outros carros. Por causa do feriado, as empresas da região ainda não foram contatadas para ceder imagens de câmera de segurança.

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